O Vaticano destinou o papamóvel utilizado pelo falecido Papa Francisco durante visita a Belém há mais de uma década para uma nova missão: servir como clínica móvel destinada ao atendimento de crianças palestinas feridas na Faixa de Gaza. Totalmente adaptado, o veículo poderá realizar cerca de 200 consultas por dia, com estrutura para testes rápidos, suturas, oxigênio, vacinas, medicamentos e uma pequena geladeira para conservação de insumos.
A iniciativa, batizada de “Veículo da Esperança”, foi abençoada pessoalmente por Francisco antes de sua morte, em abril, e confiada à Caritas Jerusalém, organização católica que atua na assistência a populações vulneráveis. O projeto de conversão do papamóvel foi apresentado na última terça-feira (25), em cerimônia realizada próximo à Igreja da Natividade, em Belém.
O cardeal Anders Arborelius, bispo de Estocolmo, conduziu a bênção do veículo e destacou sua dimensão humanitária. “Queremos que cada criança que alcançarmos se sinta vista, ouvida e protegida. Os direitos e o bem-estar da criança vêm em primeiro lugar”, afirmou.
Para Arborelius, a iniciativa leva ao mundo uma mensagem clara: “Isto não é apenas um veículo: é uma mensagem de compaixão, dignidade e esperança. O mundo não esqueceu as crianças de Gaza.”
Desejo final de Francisco
Desde 2023, Francisco apelava reiteradamente por um cessar-fogo e pedia atenção às vítimas palestinas. Chegou a ligar diariamente para a Igreja da Sagrada Família, em Gaza, para acompanhar a situação local.
A Santa Sé afirmou que transformar o papamóvel em clínica representa o último desejo do pontífice.
“Seu legado de paz continua a brilhar”, declarou o Vaticano.
O comunicado ressalta a solidariedade de Francisco com os mais vulneráveis e sua preocupação constante com as crianças, as mais afetadas pela destruição. “Crianças não são números. São rostos, nomes, histórias. Cada uma delas é sagrada”, lembraram autoridades do Vaticano.
O contexto humanitário na Faixa de Gaza segue crítico, com infraestrutura destruída, sistema de saúde colapsado e condições de fome e doenças atingindo sobretudo os menores.
Equipe médica atuará quando o acesso for restabelecido
A clínica móvel será operada por médicos e paramédicos da Caritas Jerusalém, que pretendem levar atendimento aos pontos mais isolados do território assim que o acesso humanitário à região for retomado. Para a Santa Sé, trata-se de uma ação concreta e imediata para aliviar o sofrimento de milhares de crianças palestinas.