Recentemente, o Comitê dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório que responsabiliza o Estado paraguaio por graves violações de direitos humanos relacionadas ao assassinato de Lilian Mariana Villalba e Maria Carmen Villalba. As meninas, com apenas 11 anos, foram mortas pelas Forças de Tarefa Conjunta (FTC) em setembro de 2020, em Ybý Yaú, no departamento de Concepción, durante o governo de Mario Abdo Benítez.

O relatório, fruto de uma investigação iniciada em 2021, aponta que “os homicídios das duas meninas constituíram uma grave violação do direito à vida”. O Comitê critica a participação direta da FTC e a falta de uma investigação abrangente, sugerindo negligência ou um possível encobrimento de informações importantes.

Além disso, o documento destaca a resistência do governo paraguaio em colaborar com as investigações. Em março de 2021, o governo afirmou seu compromisso com a investigação, mas, em julho de 2022, negou o pedido de visita do Comitê. Sem o consentimento do Estado, a investigação continuou por videoconferência, entre outubro de 2022 e fevereiro de 2023, com a participação de 32 testemunhas entrevistadas online.

O relatório conclui que a condução das investigações demonstra “negligência extraordinária do Estado” ou uma tentativa deliberada de ocultar os fatos. O Comitê solicita que, em até seis meses, o Estado informe as medidas adotadas e recomenda que as conclusões sejam amplamente divulgadas.

Este documento reafirma a luta contínua de movimentos sociais e organizações de direitos humanos que denunciaram o infanticídio das meninas e destaca a importância de garantir justiça e a não repetição de tais tragédias. Além disso, reforça a necessidade de esforços coletivos para localizar Lichita Villalba, prima das meninas, que permanece desaparecida. Leia aqui o relatório completo da ONU

 

Entenda o caso das irmãs Villalba

María Carmen e Lilian Mariana Villalba foram mortas no Paraguai pelo exército em setembro de 2020, por serem parentes de membros da guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP).

As duas meninas teriam sido capturadas com vida no dia 2 de setembro de 2020 e assassinadas posteriormente na localidade de Yby Yaú, região de Concepción, pelas Forças de Tarefa Conjunta (FTC), em uma operação elogiada pelo presidente paraguaio Mario Abdo Benítez.

A família Villalba Ayala é conhecida por dirigir o Exército do Povo Paraguaio (EPP), uma organização guerrilheira de orientação marxista-leninista, criada em 2008 como braço armado do partido Pátria Livre. Devido à perseguição do Estado, alguns membros da família que não fazem parte do grupo insurgente vivem há dez anos na região de Puerto Rico, no estado de Misiones, no norte argentino.

Em uma emboscada militar, cinco menores de idade da família Villalba foram detidos. Três conseguiram fugir, mas María Carmen e Lilian Mariana Villalba foram assassinadas, seus pertences queimados e seus corpos enterrados em uma vala comum.

 

Com informações do periódico Adelante