O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, condenou o recente ataque atribuído aos Estados Unidos contra centrais nucleares no Irã. Guterres alertou: “Há um grave risco de que este conflito saia do controle com catastróficas consequências para civis, para a região e o mundo“. “Nesta hora perigosa, é crítico evitar uma espiral do caos“, acrescentou o secretário-geral da ONU.
Ao condenar diretamente a ação, Guterres enfatizou: “Estou gravemente alarmado pelo uso da força pelos Estados Unidos contra o Irã, hoje. Esta é uma perigosa escalada em uma região já no limite e uma direta ameaça à segurança e à paz mundial“.
Em contraste, o ex-presidente Donald Trump se manifestou publicamente sobre o bombardeio às usinas nucleares iranianas de Fordow, Natanz e Isfahan, classificando-o como um “sucesso espetacular“. Em um pronunciamento, ele fez ameaças ao Irã, com a alternativa de “Paz ou tragédia“. Essas declarações ocorrem em um momento em que o Irã havia enviado a Genebra seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, para conversas com líderes da França, Alemanha e Inglaterra, manifestando-se disposto a negociar diretamente com os EUA, sob a única condição de que Israel cessasse os bombardeios ao país. Segundo relatos, a escalada teria sido iniciada por Israel com um ataque não provocado no dia 13.
Violação do Direito Internacional e reações iranianas
Os ataques dos EUA a três instalações nucleares no Irã na madrugada deste domingo, 22 de junho de 2025, foram denunciados pela Organização de Energia Atômica do Irã como “um ato bárbaro baseado na ‘lei da selva’ e violam o direito internacional“. A agência iraniana ressaltou que as instalações visadas (Fordow, Isfahan e Natanz) estão sob supervisão contínua, conforme o Acordo de Salvaguardas e o Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Mehdi Mohammadi, conselheiro estratégico do presidente do Parlamento iraniano, revelou: “O Irã esperava um ataque a Fordo há várias noites. O local foi evacuado há algum tempo e não sofreu danos irreparáveis no ataque. Duas coisas são certas: primeiro, o conhecimento não pode ser bombardeado e, segundo, desta vez o apostador perderá“.
O jornal The New York Times publicou a manchete “EUA entra na guerra contra o Irã”. Apesar de Trump considerar a ação “excelente”, o jornal expressou cautela, adicionando um subtítulo que soou premonitório: “Com ataque militar que seus antecessores evitaram, Trump faz uma grande aposta“.
Além de violar o direito internacional, a agressão cometida é criticada por também infringir a lei norte-americana, uma vez que apenas o Congresso dos EUA tem a prerrogativa de declarar guerra.
É importante relembrar que foi Trump quem, em seu primeiro mandato, rompeu o acordo nuclear de 2015 com o Irã – negociado por seu antecessor, Barack Obama, e respaldado pelo Conselho de Segurança da ONU, o JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), que previa o fim das sanções em troca do regime de fiscalização mais rígido da história da AIEA. Após o rompimento, as sanções foram redobradas, chegando ao ponto de tentar proibir a exportação de petróleo iraniano, o que gerou a crise que agora se tenta resolver com ataques militares.
Reação popular nos EUA e alerta de conflito regional
Outro ponto de análise é a possível reação da população norte-americana diante desse desenvolvimento. Durante sua campanha eleitoral, Trump prometeu pôr fim às “guerras eternas” dos EUA no Oriente Médio, citando os fracassos no Iraque e no Afeganistão.
Em declaração, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, afirmou que o ataque ordenado por Trump “vai mudar a história“. Enquanto isso, manifestações de lideranças em todo o mundo começam a surgir contra a ação estadunidense, e o dia promete protestos globais.
Uma matéria do jornal iraniano Tehran Times questionou: “Quantos caixões Trump enviará para casa pelo bem de Israel?“, informando que há pelo menos 50.000 militares e funcionários norte-americanos ao alcance imediato dos mísseis e drones do Irã.
“Aproximadamente 50.000 funcionários americanos estão destacados na região sob o comando do Pentágono, e os EUA investiram bilhões de dólares em suas 19 bases na Ásia Ocidental, incluindo Iraque, Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos“, alertou a matéria.
A publicação também citou Esmail Kowsari, membro do parlamento do Irã e ex-comandante do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), que declarou recentemente que o fechamento da via no Golfo Pérsico, por onde passa quase metade do petróleo mundial, “está sendo considerado” e que o Irã “tomará a melhor decisão com determinação“.