A Receita Federal informou que, a partir de entendimentos firmados entre os governos do Brasil e do Paraguai, no âmbito da Comissão Mista Brasil–Paraguai responsável pela construção da segunda ponte rodoviária internacional sobre o rio Paraná, foram estabelecidas novas regras para o tráfego de veículos entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco.
Conforme o acordo bilateral, a segunda fase da abertura progressiva do trânsito entra em vigor em 19 de janeiro de 2026. A partir dessa data, fica proibido o tráfego de ônibus em fretamento eventual ou turístico pela Ponte Internacional da Amizade. Esse tipo de transporte deverá ocorrer exclusivamente pela Ponte da Integração, no horário compreendido entre 19h e 7h.
A Receita Federal orienta transportadores e demais interessados a cumprirem rigorosamente as novas disposições, com o objetivo de garantir a fluidez do tráfego e o adequado controle aduaneiro e migratório na região de fronteira.
Setor de turismo reage e critica falta de diálogo
A decisão provocou reação imediata do setor de turismo de Foz do Iguaçu, que, por meio de suas entidades representativas, empresários, trabalhadores e do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), divulgou uma nota pública de posicionamento criticando a forma como as mudanças foram definidas.
“O setor de turismo de Foz do Iguaçu manifesta sua indignação com a forma como decisões estratégicas sobre a operação das pontes internacionais vêm sendo conduzidas, sem diálogo prévio com quem vive, opera e sustenta diariamente o turismo na fronteira.”
Segundo o COMTUR, decisões tomadas em instâncias superiores, sem a escuta dos agentes locais, desconsideram a realidade do território, a dinâmica do turismo binacional e os impactos diretos sobre agências de viagens, transportadoras turísticas, eventos, hotéis, guias e toda a cadeia produtiva que movimenta a economia local.
“O turismo não é um detalhe operacional, tampouco um setor secundário. É uma atividade econômica estruturante, transversal, que gera emprego, renda, visibilidade internacional e integração entre países.”
A nota também aponta desequilíbrio no processo decisório, ao afirmar que setores como o transporte de cargas têm protagonismo recorrente nas discussões, enquanto o turismo — que lida com fluxos organizados, passageiros identificados e operações regulares — não é chamado para participar previamente das definições.
“Causa estranhamento que setores específicos, como o transporte de cargas, tenham protagonismo recorrente nos processos decisórios, enquanto o turismo não seja sequer convidado para uma conversa técnica prévia.”
O COMTUR reforça que é uma instância legítima de diálogo entre o poder público e a iniciativa privada e que sua exclusão fragiliza a governança, gera insegurança operacional e pode comprometer a imagem de Foz do Iguaçu como destino turístico no mercado nacional e internacional.
“Defender os interesses do turismo não é confronto institucional. É responsabilidade com a cidade, com os trabalhadores e com o desenvolvimento regional. Decisões que afetam diretamente o turismo precisam, no mínimo, considerar quem está no território e conhece seus impactos reais.”
A nota é concluída com um apelo por respeito, diálogo e participação efetiva do setor de turismo nas decisões que impactam diretamente a dinâmica da fronteira e a economia local.
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