Por Cristiane Romano – Opinião

Você já teve a sensação de que os alimentos secos ficam presos na garganta ou passou a optar por comidas mais úmidas porque são mais simples de engolir? Pode ser que você tenha tossido após beber líquidos ou notado que a comida parece “ir pelo cano errado” com mais frequência. Esses sintomas podem indicar uma condição chamada disfagia, que se refere à dificuldade em deglutir.

A Dra. Cristiane Romano, fonoaudióloga e especialista em voz, (@dracristianeromano) ressalta a importância de compreender essa condição. “A disfagia, que se pronuncia dis-FAY-juh, é uma disfunção dos músculos responsáveis ​​pela deglutição, e suas consequências podem ser graves”, explica. Quando engolimos, os músculos da boca e da garganta trabalham em conjunto para guiar o alimento pelo esôfago e bloquear temporariamente as vias aéreas, evitando que alimentos e bactérias cheguem aos pulmões.

Romano explica que, essa condição, caracterizada pela dificuldade em engolir, pode surgir devido a uma variedade de fatores. Entre as principais causas estão doenças neuromusculares, lesões, infecções, efeitos colaterais de medicamentos e o processo de envelhecimento. Essa dificuldade pode impactar significativamente a qualidade de vida do indivíduo, afetando a nutrição e a saúde geral.

Infelizmente, a disfagia pode se agravar em condições como a anorexia nervosa, onde os músculos da deglutição ficam enfraquecidos, comprometendo a segurança do ato de engolir. O refluxo gastroesofágico também pode causar ou agravar essa condição, resultando em situações em que alimentos, líquidos e até bactérias da saliva não sejam levados para o estômago.

Os riscos associados à disfagia incluem a aspiração, que ocorre quando o conteúdo oral entra nas vias respiratórias, levando a complicações graves como pneumonia aspirativa, pneumonia e, em casos avançados de anorexia, até choque por pneumonia, uma causa potencial de morte.

Um fator agravante é que a disfagia muitas vezes não é diagnosticada corretamente. Infelizmente, mesmo médicos bem-intencionados podem não entender a relação entre a disfagia e os transtornos alimentares. “Um atraso no diagnóstico pode resultar em complicações que poderiam ser evitadas. Se você está engolindo várias vezes para conseguir ingerir alimentos secos ou sensações que a comida fica presa, é fundamental buscar ajuda especializada imediatamente”, alerta a Dra. Cristiane.

Diante da gravidade dessa condição, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais. A avaliação por fonoaudiólogos e outros profissionais de saúde pode fornecer o suporte necessário para lidar com a disfagia. A Dra. Cristiane enfatiza a importância de não subestimar esses sinais: “A informação e a ação proativa podem transformar a experiência de muitos, garantindo uma melhor qualidade de vida.”

Adoção de ações como hábitos de higiene bucal, exercícios físicos e uma alimentação balanceada são essenciais para a prevenção da disfagia. No entanto, é importante que indivíduos que experimentem esses sintomas consultem um profissional qualificado, pois a disfagia é uma condição que não deve ser ignorada. O cuidado e a conscientização são fundamentais para evitar consequências mais graves.

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*Cristiane Romano é especialista em comunicação, com mestrado e doutorado em Expressividade pela USP. Pós-graduada em Voz pelo CEFAC – BH e em Gestão Estratégica de Marketing pela PUC Minas. Formada em Business and Executive Coaching pela University of Ohio – EUA.

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