Paris, França – O que começou como um protesto contra uma reforma trabalhista transformou-se em algo muito maior. O movimento Nuit Debout (que pode ser traduzido como “Vigília Noturna” ou “Noite em Pé”) ocupa a icônica Praça da República desde o dia 31 de março, transformando o local em um laboratório de democracia direta que não dá descanso ao governo francês.

O lema estampado no site oficial resume o sentimento: “Nem representados, nem representantes”. O grupo defende que a política não deve ser um assunto de profissionais, mas de todos, colocando o ser humano e o interesse geral acima dos lucros e dos interesses particulares.

Orquestra e Assembleia: A Nova Cara da Mobilização

A criatividade é a marca do movimento. Em um dos momentos mais marcantes, 350 músicos profissionais e amadores se reuniram espontaneamente na praça para executar a 9ª Sinfonia de Dvorak, atraindo mais de 16 mil espectadores físicos e virtuais.

Diferente das estruturas partidárias com seus comícios viciados, o Nuit Debout funciona de forma horizontal. Não há líderes oficiais. Figuras como o economista Frédéric Lordon são citadas pela mídia, mas recusam o rótulo de chefia, mantendo a tomada de decisões em assembleias abertas.

Quem são os “Indignados” Franceses?

Em entrevista ao portal Nexo, a professora Cecília Baeza (FGV/Science Po) traçou o perfil dos manifestantes:

Resistência e Pressão Policial

Após mais de um mês de ocupação, o movimento enfrenta o desgaste. Comerciantes e moradores reclamam da sujeira, da queda no movimento de clientes e de episódios de vandalismo em caixas eletrônicos após confrontos com a polícia.

As autoridades parisienses já restringiram o consumo de álcool e o direito de assembleia, sinalizando que a desocupação forçada pode ocorrer a qualquer momento. “Esse movimento poderia encontrar outras formas de contestação”, declarou Michel Cadot, responsável pela polícia em Paris.

O Futuro da Democracia

Para Cecília Baeza, o sucesso do Nuit Debout não deve ser medido por vitórias imediatas, mas pelo fôlego que dá à democracia em crise. Em um cenário onde líderes populistas conservadores ganham força, o movimento tenta achar a “fórmula mágica” para tornar as democracias liberais mais inclusivas, transparentes e justas.

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