Domingos Jorge Velho, conhecido por sua brutalidade, foi o bandeirante responsável pela destruição do Quilombo dos Palmares. No século XVII, ele liderou expedições no Nordeste para conquistar territórios indígenas ainda não dominados pelos colonizadores portugueses.
Contratado por Francisco Garcia d’Ávilla, um grande proprietário de terras na Bahia, Jorge Velho tinha a missão de exterminar os índios ao longo do rio São Francisco. Sua intenção era ocupar as terras deixadas para criar uma estância de gado, algo que o favorecia, já que possuía uma fazenda no oeste de Pernambuco.
Entre 1671 e 1674, lutou ao lado de Domingos Afonso Sertão contra indígenas do Piauí, Maranhão e Ceará, espalhando o terror em nome da hegemonia colonial. Em 1687, recebeu uma nova missão do governador de Pernambuco, João da Cunha Souto Maior, para eliminar os escravos do Quilombo de Palmares.
Após planejar a operação, partiu em 1691 para atacar os quilombolas. Apesar da resistência, saiu vitorioso em 1695, resultando na morte de Zumbi dos Palmares. Estima-se que mais de 15 mil quilombolas lutaram ao lado de Palmares.
Em 1699, Domingos Jorge Velho recebeu outra missão, desta vez para dominar e catequizar indígenas em diversas regiões. Por seus feitos, foi honrado como Mestre de Campo no governo de Estevão Ribeiro e faleceu em 1705, aos 64 anos, na capitania da Paraíba. Sua vida é marcada por uma trajetória de violência e serviço aos interesses dos grandes proprietários, em detrimento das vidas de indígenas e escravos.

Os quilombos foram fundamentais na resistência à escravidão no Brasil, servindo como núcleos de organização e luta por liberdade. Conheça a história dos quilombos e seus heróis, como Zumbi dos Palmares e Domingos Jorge Velho.
Os quilombos, que na língua banto significam “povoação”, representaram espaços de resistência à escravidão no Brasil. Fugidos dos cafezais e das plantações de cana-de-açúcar, negros que se opuseram à submissão e à exploração colonial se reuniam nas matas, formando comunidades com certo grau de organização social, econômica e política.
Esses agrupamentos eram estabelecidos em locais de difícil acesso e contavam com armas e estratégias para se proteger das milícias e tropas governamentais. Durante o período colonial, o Brasil abrigou centenas de comunidades quilombolas, principalmente nos estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas.
Palmares: O Quilombo mais Famoso do Brasil
A mais icônica comunidade quilombola foi Palmares, fundada no século XVI pela princesa congolesa Aqualtune, mãe do famoso Ganga-Zumba, na Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL). Juntamente com os povoados de Ambrósio (MG) e Campo Grande (SP/MG), Palmares é um dos maiores núcleos de resistência negra do país.
Estabelecido no final de 1590, o Quilombo dos Palmares tornou-se um estado autônomo, resistindo por quase cem anos a ataques de forças holandesas, luso-brasileiras e bandeirantes paulistas. Em 1695, a comunidade foi destruída, um ano após a morte de Zumbi dos Palmares, assassinado por Domingos Jorge Velho, um bandeirante contratado para erradicar Palmares e outros quilombos.
Rebeliões e Quilombos no Brasil e nas Américas
Em diversas regiões das Américas onde o regime escravagista se estabeleceu, ocorreram movimentos de rebelião. O primeiro registro desse tipo de resistência data de 1522, na ilha de Hispaniola (Haiti e República Dominicana).
Outros Quilombos Brasileiros
- Quilombo Ambrósio (MG): Com uma população de 15 mil pessoas, foi destruído em 1759 pela expedição do capitão Bartolomeu Bueno do Prado.
- Quilombo de Campo Grande (MG/SP): Abrigava cerca de 10 mil pessoas e foi destruído entre 1759 e 1760.
- Quilombo Buraco do Tatu (BA): Fundado em 1744, liderado por Antonio de Sousa e Teodoro, durou 20 anos, até ser exterminado em 1764.
- Quilombo de Catucá (PE): Fundado em 1817 por Malunguinho, foi dizimado no final da década de 1830.
Quilombos nas Américas
- Haiti: Quilombo Bahoruco
- Jamaica: Quilombo Juan de Bolas
- Colômbia: Palenque de La Matuna
- Cuba: Palenque El Frijol
- Venezuela: Cumbes da região de Coro