CURITIBA | PR – O Partido Liberal (PL) no Paraná sofreu uma dissolução completa de sua base executiva municipal nesta quinta-feira (26). Em um movimento sem precedentes na política paranaense, todos os prefeitos eleitos pela legenda no estado anunciaram desfiliação em massa. A decisão unânime é uma reação direta à filiação do ex-juiz Sergio Moro e à sua indicação pela cúpula partidária para disputar o Governo do Estado em 2026.

A debandada total foi confirmada durante coletiva de imprensa em Curitiba, onde as lideranças municipais manifestaram descontentamento com a falta de diálogo interno. O prefeito de Foz do Iguaçu, Silva e Luna, acompanhou a decisão do grupo, abandonando a sigla para alinhar seu projeto político ao do governador Ratinho Junior.

Em seu discurso, o gestor iguaçuense enfatizou o compromisso com a coerência política e a fidelidade ao governador Ratinho Junior (PSD) e ao agora ex-presidente do PL estadual, o deputado federal Fernando Giacobo.

Eleito com o suporte da extrema-direita bolsonarista, Silva e Luna optou por deixar o PL para se integrar à direita vinculada à Ratinho Junior e Giacobo. A movimentação marca o início de sua transição para o PSD e o afastamento da cúpula nacional do partido. Ao justificar a decisão, o General utilizou as palavras estampadas no banner oficial do encontro:

“Retroceder, jamais. Não existe outra maneira. Passo para trás, nem para pegar impulsão. Daqui para a frente!”, ressaltou o prefeito de Foz do Iguaçu.

Rejeição unânime e críticas à gestão

Os gestores municipais justificaram a saída conjunta apontando uma desconexão entre as decisões da executiva nacional e a realidade das cidades paranaenses. Segundo o grupo, a indicação de Sergio Moro foi imposta sem consulta prévia aos prefeitos, que são os principais articuladores da legenda no interior do estado.

Entre as críticas técnicas apresentadas, os prefeitos destacaram a ausência de experiência administrativa de Moro no Poder Executivo e o que classificam como “falta de visão estratégica” para as demandas regionais do Paraná. Para os dissidentes, a governança estadual exige habilidades de negociação e diálogo que, segundo a avaliação do grupo, o ex-juiz não demonstrou possuir.

“O descontentamento é geral e os prefeitos não aceitaram o veredito. O grupo buscará novas legendas e outro candidato que apresente capacidade de gestão e articulação política real com os municípios”, destacaram representantes do movimento durante o anúncio na capital.

A saída de 100% dos prefeitos esvazia a capilaridade eleitoral do PL no Paraná e redefine as alianças para o próximo pleito. O movimento fortalece a base de apoio do Palácio Iguaçu, uma vez que a grande maioria dos prefeitos que deixaram a sigla deve migrar para partidos aliados a Ratinho Junior.

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