A mobilização nacional pelo Feminicídio Zero chega ao Carnaval do Rio de Janeiro, com o objetivo de impactar cerca de 5 milhões de espectadores no Sambódromo da Sapucaí. A campanha foi lançada na sexta-feira, 7 de fevereiro, na Cidade do Samba, com a parceria do Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
“Ao longo do Carnaval, não estaremos apenas na Sapucaí, mas também nas quadras das escolas de samba, conversando com a comunidade sobre a importância de erradicar a violência contra as mulheres”, destacou Cida Gonçalves, Ministra das Mulheres.
Durante o evento, as peças da campanha “Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada” serão expostas em formato de painéis, faixas e adesivos, além da distribuição de materiais informativos nos dias de ensaios técnicos e durante o desfile.
Cida Gonçalves enfatizou que o Carnaval deve ser um momento de celebração e reflexão, envolvendo também o público masculino. “Queremos, junto com as escolas de samba e a população, mudar a realidade do Brasil, que ocupa o quinto lugar no ranking mundial de feminicídio”, afirmou.
A campanha traz mensagens que reforçam a importância de um Carnaval livre de assédio, destacando que a responsabilidade de enfrentar a violência é de todos. Também será divulgada a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que agora está disponível pelo WhatsApp (61) 9610-0180.
O Feminicídio Zero é uma mobilização contínua do Ministério das Mulheres, envolvendo diversas frentes de atuação, como comunicação ampla, implementação de políticas públicas e engajamento de influenciadores.
“Não cabe apenas a nós, profissionais da saúde, lidar com os impactos da violência. A prevenção é fundamental. Não queremos a necessidade de novas Salas Lilás”, ressaltou Nísia Trindade, Ministra da Saúde. As Salas Lilás oferecem acolhimento especializado para mulheres vítimas de violência, e a nova legislação (Lei nº 14.847/24) determina que elas sejam atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS), em ambientes que garantam privacidade.
Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, destacou que as mulheres negras são as principais vítimas da violência no Brasil. “É crucial que estejamos unidas nesta campanha, pois não aceitaremos nenhuma vida a menos”, afirmou.
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, também enfatizou a importância do debate sobre a violência contra as mulheres durante o Carnaval. “Essa festa é uma grande oportunidade para trazer à tona questões sociais urgentes”, disse.
Gabriel David, presidente da Liesa, considerou o lançamento da campanha um “marco para o Carnaval”, ressaltando o potencial das escolas de samba em comunicar mensagens sociais relevantes.