O neto de Nelson Mandela, Mandla Mandela, de 51 anos, declarou nesta quarta-feira (3) que os palestinos enfrentam um regime de apartheid ainda mais cruel que o da África do Sul. A fala foi feita no aeroporto de Joanesburgo, antes de embarcar para a Tunísia, onde se juntará à Flotilha da Liberdade, iniciativa internacional que busca romper o bloqueio naval imposto por Israel e entregar suprimentos humanitários à Faixa de Gaza.

“Muitos de nós que visitamos os territórios ocupados por Israel chegamos a uma única conclusão: os palestinos estão sofrendo uma forma de apartheid muito pior”, disse Mandla. Ele defendeu que a comunidade internacional repita com Israel o que foi feito contra o regime sul-africano: Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

Lembrança da luta sul-africana

Mandela lembrou que o fim do apartheid na África do Sul, em 1994, só foi possível com a pressão mundial. “Eles isolaram a África do Sul do apartheid e, eventualmente, a derrubaram. Acreditamos que chegou a hora de fazer o mesmo pelos palestinos”, enfatizou.

O Congresso Nacional Africano (CNA), partido histórico da luta contra o apartheid, afirmou que a participação de Mandla “ecoa nossa própria luta de libertação” e reforça o compromisso da África do Sul com a causa palestina.

Susan Sarandon na flotilha

A atriz americana Susan Sarandon, vencedora do Oscar e embaixadora da Unicef, também integra a flotilha. Em discurso recente diante do Congresso dos EUA, ela criticou a recepção oficial ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Sarandon conclamou solidariedade global:

“Na Palestina, nós vemos vocês, nós ouvimos vocês, e vamos levantar a voz de vocês. Ninguém é livre até que todos sejam livres com a libertação da Palestina.”

A crise humanitária em Gaza

Israel rejeita comparações com o apartheid sul-africano, mas mantém restrições severas à entrada de ajuda humanitária. Segundo organizações internacionais, um quarto da população de Gaza vive em situação de fome aguda.

O bloqueio israelense já dura mais de 15 anos, agravando o quadro de miséria em um território com 2,3 milhões de habitantes, que sofre também com destruição de infraestrutura e escassez de medicamentos, água potável e energia.