FOZ DO IGUAÇU (PR) – Lançado há um mês, o Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu já se consolidou como uma fonte ativa de pesquisa e descobertas sobre a história do município, reunindo fatos, reivindicações e personagens que marcaram diferentes períodos da cidade. O acervo conta com 20 mil páginas digitalizadas de jornais, revistas e publicações, com acesso gratuito e online, cobrindo o período de 1953 a 2019.

O projeto é realizado pela Associação Guatá — Cultura em Movimento, com apoio da Itaipu Binacional, e disponibiliza, nesta primeira coleção, 21 publicações já acessíveis ao público. O material permite revisitar mais de seis décadas do desenvolvimento de Foz do Iguaçu sob múltiplas perspectivas.

Entre os temas retratados estão o contexto anterior às grandes obras estruturantes, como a Ponte da Amizade e a BR-277; o cotidiano dos moradores; o turismo e o comércio entre Brasil, Paraguai e Argentina; o antes e o depois da Itaipu; a mobilização em torno da Ponte Tancredo Neves; a expansão urbana dos anos 1980; o auge e o declínio do “comprismo”; além de fenômenos sociais característicos da fronteira, como a figura do “laranja”.

Ferramenta para pesquisa acadêmica

Professora e pesquisadora do campus de Foz do Iguaçu do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Paola Stefanutti avalia o Museu da Imprensa como fundamental para a salvaguarda da memória e da história locais. Ela utilizou o acervo no projeto de extensão Cozinhas de Foz do Iguaçu, buscando identificar registros históricos do risoto de frango na imprensa local e sua adaptação ao contexto iguaçuense.

“O acervo digital é riquíssimo e documenta o cotidiano da fronteira ao longo do tempo, incluindo seus sabores, práticas culturais e memórias alimentares, facilitando significativamente o trabalho de investigação histórica”, afirma. “O museu é uma ferramenta indispensável para pesquisas atuais e futuras sobre a alimentação e a história cultural do município”, completa.

História na palma da mão

A tecnologia empregada permite acesso rápido por meio de buscadores da internet, redes sociais ou diretamente no portal do museu. As pesquisas podem ser feitas por palavra-chave, data, capa, fotografia ou leitura sugerida, com possibilidade de download em PDF, preservando o formato original e a fidelidade das fontes.

Moradora de Foz do Iguaçu, a taxista Sabrina Schuhz relata as primeiras descobertas no acervo digital.

“Estou navegando e já encontrei muita coisa interessante. O mais importante é que dá para pesquisar por palavra-chave. É muito legal”, comenta.

Diálogo com a memória comunitária

Um dos objetivos do Museu da Imprensa é dialogar e fortalecer iniciativas da comunidade voltadas à valorização da memória local. O memorialista João Thomazi, que resgata a contribuição dos trabalhadores que construíram a Itaipu Binacional, destaca a importância do projeto.

“O Museu da Imprensa nos leva a entender e a conhecer nossa Foz do Iguaçu, com fontes reunidas em um só lugar”, afirma.

Ele ressalta o volume e a qualidade do material disponível.

“É um acervo espetacular, que permite acompanhar como a cidade foi criada e como está se desenvolvendo. São relíquias que enaltecem o museu”, diz.

Thomazi mantém a página “Itaipu Binacional: fotos da usina”, no Facebook, com cerca de 15 mil membros e acesso a 28 mil fotografias e reportagens relacionadas à obra.

Serviço

Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu
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