Foz do Iguaçu–PR – Com homenagens marcantes e a presença de representantes de diferentes gerações da imprensa local, o Museu da Imprensa abriu oficialmente seu acervo digital ao público nesta quarta-feira (26), no Mercado Público Barrageiro. A iniciativa disponibiliza gratuitamente quase 20 mil páginas digitalizadas de jornais, revistas e publicações que registram mais de seis décadas da história iguaçuense, entre 1953 e 2019. O projeto é uma realização da Associação Guatá – Cultura em Movimento, com apoio da Itaipu Binacional, e está disponível em museudaimprensafoz.com.br.

A coleção inaugural reúne 21 títulos, totalizando 1.009 edições, que retratam fatos, personagens, tensões sociais, transformações urbanas e mudanças políticas que moldaram a cidade ao longo de diferentes momentos históricos.

Equipe de profissionais atuantes no projeto — foto: Roberto Lemos/Museu da Imprensa

Homenagens preservam a memória dos jornais e de quem os produziu

O lançamento foi marcado por depoimentos emocionados e referências aos profissionais que construíram a imprensa de Foz do Iguaçu desde os anos 1950. Entre os convidados estavam:

O evento também prestou homenagem póstuma ao jornalista Chico de Alencar, decano da imprensa local, com leitura de texto feita pela filha Adriana Vecchi de Alencar, estendida simbolicamente a todos os profissionais que deram identidade ao jornalismo da fronteira.

Juvêncio Mazzarollo, um dos editores do Nosso Tempo, foi lembrado por meio de um trecho de documentário exibido ao público. Já a contribuição dos bastidores da imprensa – gráficos, revisores, diagramadores e operadores das máquinas – foi representada por Nadir Almeida, o “Chula”.

Museu disponibiliza acesso público e gratuito a cerca de 20 mil páginas de jornais e revistas de Foz do Iguaçu — foto: Roberto Lemos/Museu da Imprensa

Homenagem aos barrageiros reforça vínculo entre memória e identidade iguaçuense

O reconhecimento à história de Foz do Iguaçu também incluiu os trabalhadores da construção da usina. A trajetória de Geraldo “Feijão” de Andrade, que faleceu este ano, foi simbolicamente destacada, reforçando o papel dos barrageiros no desenvolvimento da cidade.

O grupo Causos de Foz, mediado por Rita Araújo, realizou homenagens a pioneiros e seus familiares, reforçando o valor da memória oral na construção do pertencimento comunitário.

Depoimentos marcam a noite de abertura

Em vídeo enviado ao evento, Salmir Lobato expressou a emoção da família com a preservação do legado de seu pai: “Em nome da família, fico orgulhoso e feliz com este museu virtual, que permanecerá acessível a todos. Parabenizo pelo trabalho, e que em breve o projeto possa virar também um museu físico da cidade.”

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, reforçou o papel do acervo como instrumento de cidadania: “Resgatar e manter viva a nossa história é fundamental. Conhecendo nosso passado, projetamos nosso futuro. É um grande prazer fazer parte desse projeto que fortalece a democracia e a construção da memória coletiva.”

Enio Verri: memória como elemento de cidadania — foto: Roberto Lemos/Museu da Imprensa

A reitora da UNILA, Diana Araújo Pereira, destacou o impacto acadêmico: “Agora temos um Museu da Imprensa qualificado, com material valiosíssimo para a pesquisa e para toda a cidadania. É um equipamento cultural fundamental para compreender os caminhos dessa cidade tão singular.”

Diana Araujo Pereira: fonte para consulta pela comunidade e universidades — foto: Roberto Lemos/Museu da Imprensa

Memória como ferramenta de leitura do presente

Coordenador do Museu da Imprensa e presidente da Guatá, Alexandre Palmar afirmou que o objetivo vai além da preservação física: “O projeto rende homenagem a todos os profissionais da imprensa e às pessoas ligadas à comunicação. Mas, sobretudo, queremos estimular que o morador de Foz utilize essa ferramenta para compreender melhor a cidade. Ler o passado é interpretar o presente e pensar o futuro.”

Segundo ele, o acervo seguirá em expansão, integrando novos títulos e coleções, e continuará como um espaço vivo de memória coletiva.

Alexandre Palmar: ferramenta para conhecer e compreender melhor a cidade — foto: Roberto Lemos/Museu da Imprensa

A coleção digitalizada

A primeira coleção reúne títulos como:

Além de revistas como:

E o livro Foz do Iguaçu Retratos.

O museu conta com apoio institucional da ADI-PR, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, Kunda Livraria, Folha de Londrina, Associação Nosotros e Documentos Revelados.

Ricardo Takiguti, representou a ADI-PR, que apoia o projeto Museu da Imprensa de Foz – Foto Roberto Lemos

Acesse o acervo

📚 www.museudaimprensafoz.com.br
📲 Instagram: @museudaimprensafoz
💬 Grupo no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/CSurBq3JBozGLRAN0aUfyI