A Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) promoveu um debate significativo sobre a presença das mulheres na política paranaense, em uma palestra para os membros do Parlamento Universitário. A discussão focou nos 70 anos da atuação feminina no Legislativo estadual, analisando a evolução e os desafios enfrentados.

A representatividade feminina no Legislativo do Paraná teve seu marco inicial em 1947 com a deputada Rosy de Macedo Pinheiro Lima (1914–2002). Contudo, após o término de seu mandato, o Parlamento permaneceu sem outra deputada por um longo período, até 1982. Apesar de avanços pontuais ao longo das décadas, o número de mulheres eleitas permaneceu baixo. Uma mudança histórica ocorreu entre as eleições de 2018 e 2022, quando o número de deputadas dobrou de cinco para dez.

Em agosto de 2022, a Bancada Feminina da ALEP foi oficialmente criada por meio do Regimento Interno, com a deputada Mabel Canto (PP) assumindo a liderança. Essa resolução também introduziu uma exigência inédita no Parlamento estadual: a representatividade feminina na composição da Mesa Diretora. A Bancada opera de forma suprapartidária, incluindo todas as deputadas da legislatura.

A deputada Mabel Canto enfatizou a importância do engajamento dos jovens na política. “Os jovens precisam participar, são eles que vão representar futuramente os parlamentos. Nós temos que ter essa presença e interesse aqui”, afirmou. Ela também destacou a relevância da luta contra a violência de gênero, mencionando a 3ª Caminhada em prol do Combate ao Feminicídio. “É o momento de mostrarmos essa luta em prol do fim da violência contra a mulher, que infelizmente é muito grande. Essa é uma das pautas que nós defendemos aqui dentro do Parlamento. Há muitas leis que já foram aprovadas nesse sentido. É uma pauta necessária, visto que, infelizmente, a cada dez minutos uma mulher é assassinada no mundo.”

Impacto legislativo e desafios da representatividade

Desde sua criação, a Bancada Feminina da ALEP tem demonstrado produtividade significativa, com 30 leis aprovadas, 10 projetos em tramitação e 37 requerimentos apoiados. Entre as leis sancionadas, destacam-se a Lei nº 21.403/2023, que garante espaço separado para parturientes de natimortos; a Lei nº 22.007/2024, que assegura assentos especiais para mulheres no transporte intermunicipal do Paraná; e a Lei nº 21.871/2024, que iguala o valor de premiações para homens e mulheres em competições esportivas no estado. Em 2024, a Bancada teve um papel central na articulação do Código Estadual da Mulher Paranaense, que consolidou mais de 99 leis em prol dos direitos das mulheres.

A deputada universitária Luana Vasconcelos (UTFPR), presidente da Bancada Feminina no Parlamento Universitário 2025, expressou preocupação com a discrepância entre a representatividade simulada e a realidade. “Quando estamos falando de Bancada Feminina, estamos falando de uma situação que, na vida real, é pior do que no Parlamento Universitário (PU). Nós temos apenas 10 deputadas, na simulação temos 20. É o dobro, mas ainda não é o suficiente e está longe de ser”, lamentou. Vasconcelos ressaltou a disposição da Bancada em cooperar, independentemente do posicionamento político, e destacou a presença feminina em cargos de liderança no Parlamento Universitário. “Na nossa aliança nós temos uma governadora, uma presidente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma presidente da Comissão de Segurança, uma vice-presidente na Comissão de Saúde e várias outras mulheres em cargos de liderança. Nada mais justo que criarmos a Bancada Feminina justamente para conseguir que as mulheres sintam-se representadas.”

Orçamento público e formação de lideranças

No período da manhã, os acadêmicos do Parlamento Universitário participaram de uma palestra com o secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara. Ele abordou a estrutura econômica do Paraná, destacando a participação da agropecuária e da indústria, e discorreu sobre a elaboração do orçamento estadual, as leis orçamentárias e como a população pode acompanhar a aplicação dos recursos pelo Portal da Transparência.

Ortigara também refletiu sobre a importância de formar jovens líderes capazes de compreender a sociedade. “O Parlamento representa o povo, o Parlamento legisla. Compreender isso faz parte de um processo educativo e evolutivo, para que tenhamos lideranças preparadas para ocupar posições relevantes”, afirmou. Ele elogiou a iniciativa da ALEP de engajar a juventude: “Vejo com bons olhos essa iniciativa da Alep do Paraná de trazer a juventude aqui, para que possam participar, entender e formar bons representantes no futuro”, disse o secretário.

O deputado Evandro Araújo (PSD), presente na palestra, reiterou a relevância do Parlamento Universitário. “A política precisa ser valorizada. O sistema democrático pode ter defeitos, mas é o melhor que existe, e precisamos valorizá-lo. Esse programa é extraordinário nesse sentido.” Ele enfatizou a necessidade de aproximação entre universidade e política. “A universidade também é espaço de construção política, de debate e reflexão. Esse projeto é uma das boas iniciativas que temos aqui”, complementou.