Curitiba, PR – O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) protocolou, nesta sexta-feira (23), uma representação junto ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitando a apuração de possíveis falhas técnicas, impactos ambientais e eventual desperdício de recursos públicos na obra de engorda da praia de Matinhos, no Litoral do Paraná. O empreendimento recebeu investimento aproximado de R$ 513 milhões do Governo do Estado.

No documento encaminhado ao MP-PR, o parlamentar aponta problemas como processos de erosão na faixa de areia nas proximidades do palco do Verão Maior Paraná e o deslocamento de sacos de areia pela maré alta. Segundo a representação, essas ocorrências indicariam fragilidades no projeto, que deveria ter sido dimensionado para resistir às ressacas características da região.

A denúncia também menciona imagens e vídeos amplamente divulgados nas redes sociais, que mostram moradores e surfistas retirando sacos de areia de dentro do mar. Além disso, o texto cita episódios recorrentes de erosão em trechos da praia de Caiobá, mesmo após a conclusão da obra, o que, na avaliação do parlamentar, levanta questionamentos sobre a viabilidade técnica da intervenção.

Presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná e líder da Oposição, Arilson Chiorato afirma que a situação exige apuração rigorosa por parte dos órgãos de controle, tanto sob o aspecto ambiental quanto em relação à correta aplicação dos recursos públicos.

“O que era para proteger a praia virou lixo dentro do mar. É dinheiro público sendo perdido. Essa obra precisa ser investigada, porque os impactos atingem o meio ambiente e a população do litoral”, afirmou o deputado.

Na representação, Chiorato solicita que o Ministério Público avalie o processo de licenciamento ambiental, os estudos técnicos que fundamentaram a obra, os impactos gerados ao ecossistema costeiro e a efetividade do investimento público. O pedido inclui ainda a análise sobre a necessidade de adoção de medidas emergenciais para cessar danos, promover a reparação ambiental e apurar responsabilidades, caso sejam identificadas irregularidades.

O parlamentar destaca que o litoral paranaense é área de especial proteção ambiental e que intervenções de grande porte devem considerar a dinâmica natural do mar. “O desenvolvimento precisa ocorrer com planejamento, responsabilidade ambiental e respeito ao dinheiro do contribuinte”, concluiu.

O Ministério Público do Paraná analisará a representação e poderá adotar medidas administrativas ou judiciais conforme o resultado das apurações.

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