Brasília–DF – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou para tornar réus três bolsonaristas acusados de planejar um atentado com explosivos no Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal de 2022. O caso é analisado pela Primeira Turma do STF.

Caso o voto de Moraes seja acompanhado pela maioria dos ministros, George Washington de Oliveira Souza, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza passarão à condição de réus pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Objetivo era gerar caos para impedir posse presidencial

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o plano tinha como objetivo criar um cenário de pânico e instabilidade institucional que possibilitasse ao então presidente Jair Bolsonaro permanecer no poder, mesmo após a derrota nas eleições de 2022.

Conforme a acusação, a explosão do aeroporto seria o estopim para a escalada de violência e ruptura institucional, inserida no contexto das ações golpistas que se intensificaram no período de transição de governo.

Planejamento ocorreu em acampamento golpista

As investigações apontam que George Washington de Oliveira Souza viajou do Pará para Brasília para integrar o acampamento golpista montado em frente ao Quartel-General do Exército, onde conheceu Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza.

Foi nesse local que o atentado passou a ser planejado. No dia 24 de dezembro de 2022, o grupo instalou uma bomba artesanal, fabricada por George Washington, em um caminhão-tanque carregado com querosene de aviação estacionado próximo ao aeroporto. A explosão, no entanto, falhou.

Segundo a denúncia:

Crimes contra o Estado Democrático de Direito

Para o MPF, o atentado tinha como finalidade direta impedir a posse do governo eleito e restringir o funcionamento dos Poderes Constitucionais, configurando tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito por meio de associação criminosa armada.

O caso integra o conjunto de investigações que apuram a articulação de atos violentos e golpistas no período que antecedeu os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Condenações anteriores

Os três acusados já foram condenados em duas instâncias da Justiça do Distrito Federal por crimes como:

Agora, com o julgamento no STF, eles podem responder também por crimes contra a ordem constitucional e o regime democrático.