Curitiba–PR – O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) será o único laboratório público responsável pelo fornecimento das vacinas contra a raiva humana e a varicela ao Sistema Único de Saúde (SUS). A confirmação veio nesta segunda-feira (24), com a assinatura de um Acordo de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o Ministério da Saúde e os laboratórios públicos selecionados para produzir insumos estratégicos para o país.

Os acordos envolvem duas parcerias internacionais: a vacina antirrábica humana será produzida com transferência tecnológica da biofarmacêutica chinesa Sinovac, enquanto a vacina da varicela contará com a participação da Sinovac e da multinacional brasileira Eurofarma.

A formalização dos termos ocorreu durante reunião do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Geceis), em São Paulo, com presenças do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, representou o instituto e firmou o acordo.

Padilha destacou que a iniciativa marca uma virada na autonomia tecnológica do país.
“Usamos o poder de compra do SUS para reduzir a dependência externa e fortalecer o acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias. O SUS está cada vez mais fortalecido”, afirmou.

Nova base de produção no Paraná

Com a PDP, o Tecpar ampliará sua contribuição ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde, reforçando sua tradição na fabricação de imunobiológicos. Para isso, está em construção um novo campus em Maringá (PR), que abrigará a estrutura produtiva das vacinas.

Segundo Eduardo Marafon, o acordo projeta impacto direto na ciência e na economia paranaense.
“Essa nova frente vai fortalecer a indústria da Saúde no Paraná, com desenvolvimento tecnológico, científico e econômico. O novo campus será dedicado à produção das vacinas após a transferência completa de tecnologia”, explicou.

Em novembro, a implantação da infraestrutura do Parque Tecnológico Industrial da Saúde atingiu 50% de execução, com conclusão prevista para 2026.

Como funciona a PDP

O modelo de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo envolve três atores:

A parceria prevê fases sucessivas de desenvolvimento, transferência e absorção tecnológica, com prazo máximo de dez anos para conclusão. Após o processo, o governo passa a comprar o imunizante diretamente do laboratório público.

A solenidade contou ainda com representantes dos laboratórios privados envolvidos e com a presença do diretor industrial da Saúde do Tecpar, Iram de Rezende.