Dois profissionais de Médicos Sem Fronteiras (MSF) foram levemente feridos em um tiroteio próximo ao Hospital Geral de Referência de Masisi (HGR), localizado na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. O incidente, que ocorreu quando um projétil atingiu a garagem da organização humanitária, é o segundo ataque à instalação em quatro dias, em meio a um clima crescente de violência na região.

No mesmo dia, outro projétil atingiu uma latrina nas proximidades, e a base da equipe de MSF também foi alvo de tiros. A organização humanitária condenou o ataque e reiterou seu apelo por respeito às instalações de saúde e humanitárias, que devem ser protegidas pelo direito internacional.

“Condenamos veementemente esse tiroteio, que mais uma vez afetou uma área que deveria ser protegida pelo direito internacional humanitário”, afirmou Stephan Goetghebuer, coordenador-geral dos projetos de MSF em Kivu do Norte. Ele destacou a sorte dos profissionais feridos, alertando que o número de vítimas poderia ter sido maior. “Milhares de pessoas ainda estão abrigadas dentro do hospital e das instalações de ONGs, tentando se proteger dos confrontos”, acrescentou.

Os confrontos entre o grupo M23/AFC e o exército congolês têm se intensificado, e apenas quatro dias antes, em 16 de janeiro, duas pessoas foram baleadas em frente ao hospital, resultando em uma morte. Romain Briey, coordenador de projeto de MSF em Masisi, expressou a preocupação crescente de pacientes e civis que buscam abrigo no hospital.

“Pacientes, o Ministério da Saúde e a equipe de MSF estão extremamente preocupados com esses repetidos incidentes. Onde eles podem se proteger dos combates, senão no hospital ou nas bases humanitárias?”, questionou Briey, enfatizando a necessidade urgente de proteção para civis e infraestrutura humanitária.

MSF tem apoiado o Ministério da Saúde em Masisi desde 2007, oferecendo suporte ao Hospital Geral de Referência de Masisi, ao Centro de Saúde de Referência de Nyabiondo e a outros centros de saúde na região.