GAZA | PALESTINA – A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) emitiu um alerta crítico sobre o agravamento da catástrofe humanitária na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Diante da persistência da violência e de novas limitações impostas pelas autoridades israelenses, a entidade apela pela ampliação massiva da ajuda e pelo fim das restrições que impedem a chegada de suprimentos básicos e equipes médicas ao território palestino.
O cenário é de incerteza extrema: uma determinação exige que 37 organizações não governamentais deixem os territórios ocupados. Mesmo assim, MSF afirma que manterá a assistência médica essencial pelo maior tempo possível, amparada em seu registro junto à Autoridade Palestina.
Bloqueios administrativos e impacto clínico
De acordo com o direito humanitário internacional, Israel, como potência ocupante, tem a obrigação de assegurar assistência à população. No entanto, MSF denuncia que novas exigências administrativas estão reduzindo drasticamente uma ajuda que já era insuficiente. O secretário-geral da organização, Christopher Lockyear, destaca que o ambiente de trabalho está cada vez mais asfixiado.
“MSF está trabalhando para manter os serviços aos pacientes em um ambiente cada vez mais restrito. As necessidades são imensas e as restrições drásticas têm consequências mortais. Centenas de milhares de pessoas precisam de cuidados médicos e de saúde mental.”
Desde o início de janeiro, a organização está impedida de enviar profissionais internacionais e suprimentos adicionais. A restrição impacta diretamente o atendimento a vítimas de traumas, serviços de reabilitação, pediatria e saúde reprodutiva, em um sistema de saúde já devastado por dois anos de conflito intenso.
Agravamento na Cisjordânia e deslegitimação
A crise não se restringe a Gaza. Na Cisjordânia, a entidade relata um aumento nas necessidades médicas devido à intensificação da violência, ataques de colonos e demolições de residências. Paralelamente às barreiras físicas, MSF afirma enfrentar uma campanha internacional de deslegitimação baseada em alegações falsas para silenciar a voz da organização.
“As atividades de MSF são essenciais para a sobrevivência de pacientes. Não é fácil substituir cuidados médicos e assistência humanitária nessa escala. Apelamos à comunidade internacional para que garanta que os palestinos não sejam abandonados”, reforça Lockyear.
Médicos Sem Fronteiras na Palestina
Presente na região desde 1988, MSF tornou-se um pilar fundamental da saúde local. Em 2025, a organização apoiou um em cada cinco leitos hospitalares em Gaza e participou de um em cada três partos no território. Somente em janeiro de 2026, foram realizadas mais de 83 mil consultas ambulatoriais e atendidos quase 6 mil pacientes com ferimentos de trauma. O plano de expansão para este ano, orçado em r$ 800 milhões (€ 130 milhões), agora enfrenta total incerteza diante do bloqueio diplomático e administrativo.
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