Brasília–DF – Ao assinar a ficha de filiação do senador Randolfe Rodrigues (ex-PSOL-AP) à Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva afirmou que a legenda prioriza a qualidade técnica e ética em detrimento da quantidade na formação de seus quadros. Marina aproveitou o ato político para analisar o cenário partidário brasileiro, classificando o PT e o PSDB como siglas em estado de estagnação.

Apesar das críticas direcionadas ao governo Dilma Rousseff, focadas principalmente na condução da crise econômica, Marina Silva posicionou-se contrária às movimentações pela saída da presidente. A ex-senadora classificou como “oportunismo político” a defesa do impeachment no atual momento de crise.

Estratégia de formação da Rede Sustentabilidade

Marina Silva, que disputou a presidência da República no último pleito, ressaltou que a chegada de novos nomes deve estar alinhada aos princípios programáticos do partido. Para ela, o objetivo central é oferecer uma alternativa de renovação à política brasileira.

“Nós não temos feito abordagem pensando em quantidade, estamos buscando compatibilizar a quantidade e a qualidade. O importante é que esse é um momento de reafirmarmos nosso objetivo de dar contribuição para melhorar a qualidade da política”, declarou Marina.

Migração de lideranças políticas

Além de Randolfe Rodrigues, a Rede Sustentabilidade atraiu lideranças de diversas frentes parlamentares. Entre os nomes que já migraram para a nova sigla estão os deputados federais Alessandro Molon (ex-PT-RJ), Miro Teixeira (ex-PSOL-RJ) e Aliel Machado (ex-PCdoB-PR).

No âmbito regional e distrital, o partido recebeu o reforço da vereadora por Maceió, Heloísa Helena, fundadora do PSOL, além dos deputados distritais Cláudio Abrantes (ex-PT), Chico Leite (ex-PT) e Luzia de Paula (ex-PEN). No Rio de Janeiro, a legenda incorporou o vereador Jefferson Moura (ex-PSOL).

Críticas ao bipartidarismo tradicional

Marina Silva traçou um paralelo histórico sobre o papel do PT e do PSDB na democracia brasileira. Segundo sua análise, ambas as siglas cumpriram seus ciclos históricos, mas enfrentam dificuldades de renovação interna e programática.

“Na década de 80, final de 70, o PT deu sua contribuição. Hoje é um partido que está estagnado. O PSDB fez a mesma coisa quando saiu do PMDB, mas hoje também vive os dilemas do crescimento deles próprios e de suas estagnações”, pontuou a ex-senadora.

Motivações de Randolfe Rodrigues

O senador Randolfe Rodrigues, que era o único representante do PSOL no Senado Federal, justificou sua saída mencionando o distanciamento do partido durante a última campanha presidencial. Randolfe tinha o desejo de disputar o Palácio do Planalto, porém a legenda optou pela candidatura da ex-deputada Luciana Genro. A mudança para a Rede sela um novo alinhamento estratégico do parlamentar com o projeto liderado por Marina Silva.

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