Foz do Iguaçu, PR – Lançado em junho de 2025 pela Itaipu Binacional e parceiros, o Programa Mais Engenharia já contabiliza cerca de 70 projetos, entre encaminhados e em fase de elaboração, envolvendo 50 municípios paranaenses. A expectativa é de captação de aproximadamente R$ 100 milhões para obras públicas. Os dados constam de levantamento realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) e divulgados nesta semana. A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) também integra a parceria.

O programa tem como objetivo capacitar profissionais para a elaboração de projetos de infraestrutura e para a captação de recursos, com foco especial em municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). A iniciativa promove uma atuação integrada entre estudantes, recém-formados, servidores públicos municipais e instituições parceiras, fortalecendo a capacidade técnica das administrações locais.

“Conseguimos elaborar um projeto de pavimentação que já foi encaminhado para análise do Paraná Cidade para obtenção de recursos e também estamos desenvolvendo projetos de engenharia para uma capela mortuária em um dos distritos do município. Sem o apoio do Mais Engenharia, dificilmente seria possível finalizar essas demandas dentro do prazo”, afirmou o engenheiro civil Igor Alipio Bresola Carabolante, residente técnico do programa em São Pedro do Iguaçu.

Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, a iniciativa gera impactos diretos no território. “Ao apoiar a elaboração de projetos de infraestrutura, o programa contribui para o desenvolvimento regional, reduz desigualdades e fortalece políticas públicas nas áreas de mobilidade, saúde, educação e assistência social”, destacou.

De casas populares a barracões industriais

Segundo o Crea-PR, a Regional Cascavel concentra um dos maiores conjuntos de projetos elaborados pelo programa. Em Guaraniaçu, foram desenvolvidos projetos de casas populares de até 70 metros quadrados. Campo Bonito recebeu projeto de ampliação de CMEI, enquanto Ibema contou com a elaboração de projeto de ciclovia.

Em Diamante D’Oeste, o atendimento incluiu projetos de barracão industrial e de um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), com serviços de terraplenagem, implantação e sistemas sanitários. São Pedro do Iguaçu recebeu projetos de reforma e ampliação de edificações públicas, e Santa Maria do Oeste teve a conversão do projeto do lago municipal para a metodologia BIM.

Na Regional Apucarana, os projetos estão voltados a equipamentos públicos e estruturas comunitárias. Em Godoy Moreira, foram elaborados projetos de playground e centro de eventos. Grandes Rios recebeu projeto de infraestrutura modular. Em Jardim Alegre, o programa desenvolveu projetos de salas em wood frame e de centro de convivência. Já em Cafeara, as ações contemplaram a implantação de um CRAS e demandas vinculadas ao Programa Infância Feliz.

Na Regional Guarapuava, os projetos atendem demandas de edificações públicas, requalificação urbana e espaços comunitários, contribuindo para a organização técnica de propostas voltadas à execução de obras e à captação de recursos.

Na Regional Londrina, o município de Santana do Itararé foi atendido com dois projetos: a ampliação de um complexo esportivo e a reforma de espaço em uma unidade básica de saúde, com foco no atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

Na Regional Maringá, Amaporã recebeu projeto de recapeamento de vias urbanas. Planaltina do Paraná foi atendida com projeto de quadra poliesportiva, enquanto Corumbataí do Sul contou com projetos de reforma e construção no centro esportivo municipal. O levantamento também registra projetos em Esperança Nova. Em Mato Rico, foram elaborados projetos de barracão industrial, quadra do programa Meu Campinho e pavimentação de vias urbanas.

Na Regional Pato Branco, Coronel Domingos Soares recebeu projeto de reforma de posto de saúde. Renascença foi atendida com projeto de recapeamento de vias urbanas, e Honório Serpa contou com projeto de pavimentação de estrada vicinal. Boa Esperança do Iguaçu recebeu projeto de casa mortuária, enquanto Manfrinópolis foi contemplado com projeto de pavimentação ligando a sede ao distrito.

Já na Regional Ponta Grossa, o município de Reserva recebeu projeto de reforma da quadra Anta Magra, e São João do Triunfo foi atendido com projeto de recapeamento asfáltico de vias urbanas.

Formação técnica e atuação nos municípios

Os engenheiros civis que atuam no programa foram selecionados por edital público e possuem até três anos de formação. Eles trabalham diretamente nas prefeituras, recebendo bolsa mensal, benefícios e equipamentos compatíveis com a metodologia BIM. Paralelamente, participam do curso de Especialização em Gestão Pública em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável, ofertado pela UEPG.

O programa também envolve estudantes de Engenharia Civil integrantes do CreaJr-PR, que atuam como estagiários supervisionados em projetos reais, ampliando a formação prática e a integração com a gestão pública.

Entrega de computadores

Como parte das ações de estruturação do Mais Engenharia, o Crea-PR realizou, no final do ano, a entrega de computadores aos municípios participantes. Gerentes e profissionais do Conselho estiveram presencialmente nas prefeituras para realizar a entrega dos equipamentos, reforçando o acompanhamento direto do programa e a proximidade com as administrações municipais.