O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza uma viagem a Tóquio, Japão, de 24 a 27 de março, e a Hanói, Vietnã, de 27 a 29 de março. Esta é a quinta visita de Lula ao Japão e a segunda ao Vietnã.

O Brasil abriga a maior população nipodescendente fora do Japão, com mais de 2 milhões de pessoas, enquanto o Japão possui a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 211 mil nacionais. Os dois países mantêm uma Parceria Estratégica e Global, que completará uma década em agosto.

Em 2025, também será comemorado o 130º aniversário das relações diplomáticas entre Brasil e Japão, estabelecidas em 1895 com o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. Este acordo possibilitou a abertura de representações diplomáticas em 1897 e a imigração japonesa em 1908.

“O Japão é uma grande economia e nosso parceiro mais tradicional na Ásia, sendo a nona maior origem de investimentos estrangeiros no Brasil, com um estoque de US$ 35 bilhões nos últimos três anos. O objetivo da visita é impulsionar setores prioritários e abrir novos mercados para produtos brasileiros, especialmente carne bovina e suína in natura”, afirmou Eduardo Saboia, embaixador e secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, durante coletiva à imprensa.

Saboia também destacou a intenção de avançar nas discussões sobre as relações entre Mercosul e Japão. “Estamos abertos a questões de atração de investimentos. Há uma complementaridade entre as economias, oferecendo grandes oportunidades para investidores japoneses que conhecem o Brasil e desejam expandir parcerias público-privadas”, acrescentou.

Relações Exteriores — Desde 2014, Brasil e Japão têm estabelecido uma Parceria Estratégica e Global, com foco em fortalecer laços humanos, promover cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, e aumentar o fluxo de comércio e investimentos. A cooperação em temas internacionais é ativa, incluindo no G4, onde, junto com Alemanha e Índia, defendem a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O principal mecanismo político entre os países é o Diálogo de Chanceleres, com encontros anuais. A última edição ocorreu em 2023, em Brasília.

Japão — As relações diplomáticas entre Brasil e Japão estão em ascensão, com uma agenda de visitas de alto nível e iniciativas como a isenção recíproca de vistos para viagens curtas, anunciada em setembro do ano passado. O Japão, quarta maior economia do mundo, é um dos principais investidores no Brasil, com investimentos diversificados em setores como automotivo, materiais elétricos e siderurgia.

Cooperação — A cooperação técnica entre os países, que já dura mais de 60 anos, é uma referência no desenvolvimento nacional. Projetos relevantes incluem o fortalecimento do complexo minerador de ferro e siderurgia no Brasil desde os anos 1950 e a evolução tecnológica que beneficiou a agricultura tropical no Cerrado, por meio do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer).

Ciência e Tecnologia — A agenda bilateral prioriza a cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, com áreas promissoras em tecnologias da informação e comunicação, aeroespacial, robótica, materiais avançados, ciências médicas e energias renováveis. Destacam-se oportunidades na descarbonização, como o uso de etanol para combustível de aviação e biomassa para geração de eletricidade.

Visita de Estado — Durante sua estadia no Japão, Lula será recebido pelo imperador e terá uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba. Também está previsto um evento empresarial no Hotel New Otani, com a participação de 500 empresários de diversos setores, promovido pelo Itamaraty e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Serão empresários de setores como alimentos, agronegócio, aeroespacial, bebidas, energia, logística e siderurgia, com a previsão de assinatura de acordos em áreas como ciência e tecnologia, combustíveis sustentáveis e recuperação de pastagens”, destacou o embaixador.

Relações Comerciais — Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Japão atingiu US$ 11 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 146,8 milhões. O Brasil exporta carne de aves, alumínio, carne suína, celulose, café não torrado e minério de ferro, enquanto as importações incluem peças e acessórios automotivos, instrumentos de medição e motores de pistão.

Vietnã — Após o Japão, Lula realizará uma visita oficial ao Vietnã para estreitar a parceria estratégica e a cooperação econômica. “É o segundo país do Sudeste Asiático a se tornar parceiro estratégico do Brasil. Estamos negociando um plano de ação para implementar essa parceria, que esperamos adotar durante a visita”, relatou Saboia.

Diálogo — A elevação das relações diplomáticas com o Vietnã ao nível de Parceria Estratégica permitirá aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica e intensificar o fluxo de comércio e investimentos.

Intercâmbio — Em 2024, Brasil e Vietnã registraram um intercâmbio comercial de US$ 7,7 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 415 milhões. O Vietnã se consolidou como o quinto destino global das exportações do agronegócio brasileiro e é um dos principais produtores mundiais de café, arroz e produtos eletrônicos, setores com grande potencial para a cooperação bilateral. “O comércio aumentou de US$ 500 milhões para quase US$ 8 bilhões, e nossa meta é alcançar US$ 15 bilhões até 2025”, enfatizou o embaixador.