Foz do Iguaçu–PR – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (19) da cerimônia oficial de inauguração da Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai, segunda ligação viária entre os dois países sobre o Rio Paraná. O evento, realizado na nova aduana brasileira, marcou a entrega formal da obra após mais de três décadas de negociações diplomáticas e institucionais.

Durante o discurso, Lula destacou o caráter histórico da ponte e relembrou o longo caminho político até a concretização do projeto. Segundo ele, a obra simboliza a retomada de uma visão de integração regional que ultrapassa fronteiras físicas.

“Espero que muita gente do Paraguai vá visitar o Brasil e que muita gente do Brasil vá visitar o Paraguai. E que muitos produtos produzidos no Paraguai venham para o Brasil, assim como os produtos do Brasil possam ir para o Paraguai. Porque as duas economias precisam crescer e os nossos povos precisam melhorar a qualidade de vida”, afirmou o presidente.

Lula ressaltou que a ponte representa mais do que uma estrutura de concreto e aço, mas um instrumento de desenvolvimento compartilhado.

“Só por essa ponte vão transitar bilhões de dólares de interesse das economias do Brasil e do Paraguai. Vai transitar o povo paraguaio para o Brasil e o povo brasileiro para o Paraguai, para trabalhar, vender, comprar e fazer negócio. O que nos interessa é fazer com que as duas economias cresçam juntas”, declarou.

Ao comparar a nova ponte com a Ponte da Amizade, inaugurada em 1965, Lula destacou a dimensão e o simbolismo da nova obra.

“Estou tendo o prazer de construir a segunda ponte. A primeira começou em 1965. Esta é maior, mais poderosa e representa o respeito entre o governo brasileiro e o governo paraguaio”, disse.

 

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Integração logística e operação gradual

A Ponte da Integração tem 760 metros de extensão, com vão livre de 470 metros — o maior do continente — e estrutura estaiada sustentada por duas torres de 190 metros de altura. A ligação conecta Foz do Iguaçu à cidade paraguaia de Presidente Franco.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a estrutura está plenamente concluída e que os órgãos de fiscalização estão preparados para iniciar a operação.

“A ponte está 100% pronta. A Receita Federal, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal estão preparadas. As obras do lado brasileiro estão concluídas, assim como a Perimetral Leste. A partir de amanhã, vamos liberar o fluxo de caminhões pela ponte”, afirmou.

Obra financiada pela Itaipu marca nova etapa logística na fronteira e amplia uso social do reservatório. William Brisida/Itaipu Binacional

A entrada em operação ocorrerá de forma gradual. A partir deste sábado (20), a travessia será permitida apenas para caminhões descarregados (“em lastro”), em horários definidos pela Receita Federal e pela Polícia Rodoviária Federal. Ônibus de turismo fretados deverão ser autorizados em etapas posteriores.

A liberação total para veículos de carga está prevista entre o fim de 2026 e o início de 2027, condicionada à conclusão do Corredor Metropolitano del Este, no lado paraguaio.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou o caráter efetivo da inauguração.

“Essa não é uma inauguração simbólica ou fake. A ponte está pronta, os serviços estão preparados e a estrutura está funcionando”, afirmou.

Obra histórica financiada pela Itaipu terá operação gradual e amplia logística regional. William Brisida/Itaipu Binacional

Papel estratégico da Itaipu

A obra foi financiada integralmente pelo governo brasileiro por meio da Itaipu Binacional, com investimento total de R$ 712 milhões. Deste valor, R$ 372 milhões foram destinados à construção da ponte estaiada e R$ 340 milhões às obras da Perimetral Leste até novembro de 2025. A Itaipu também financiou as aduanas e os acessos viários.

O modelo institucional foi tripartite: o DNIT como órgão proprietário, o Governo do Paraná como executor e a Itaipu como responsável pelo repasse dos recursos.

Antes da cerimônia, o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Ênio Verri, relembrou que as discussões para a obra começaram ainda nos anos 1990, mas só avançaram de forma decisiva durante os governos Lula.

“As primeiras tratativas surgiram no início dos anos 1990, mas foi a partir de 2003 que o projeto ganhou força política. A licitação ocorreu no governo Dilma, e agora a ponte está pronta para ser utilizada pela população”, afirmou.

Verri também destacou investimentos da Itaipu na integração regional, citando a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

“A Unila é um símbolo da integração latino-americana. Tem estudantes de mais de 30 países e representa uma marca dos governos Lula: integração, educação e desenvolvimento regional”, disse.

Presidente destacou Itaipu como instrumento de desenvolvimento, emprego e soberania. William Brisida/Itaipu Binacional

Produção de tilápias no reservatório

Durante o evento, Enio Verri anunciou o início da produção de tilápias no reservatório da Itaipu, após aprovação dos parlamentos do Brasil e do Paraguai.

“Quando assumimos, em 2023, o presidente Lula observou que este reservatório era um latifúndio produtivo e que, de forma urgente, precisávamos começar a explorá-lo na produção de alimentos”, relatou.

Segundo Verri, a iniciativa terá impacto direto na geração de emprego e renda, especialmente para pequenos produtores.

“Hoje, graças à parceria com o povo paraguaio, com a Câmara dos Deputados e o Senado do Paraguai, a Itaipu Binacional vai iniciar a produção de tilápias no reservatório. Será um salto na geração de emprego e renda, principalmente para os pequenos”, completou.

Mais investimentos no Paraná

A ministra Gleisi Hoffmann destacou que a ponte integra um conjunto maior de investimentos federais no estado.

“O Novo PAC está investindo R$ 67 bilhões no Paraná, com obras na saúde, educação, cultura, habitação, transporte e infraestrutura”, afirmou.

Além da Ponte da Integração, Lula mencionou a ligação viária entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), financiada pela Itaipu, que integra o Corredor Bioceânico e conectará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile.

Novo corredor internacional sobre o Rio Paraná amplia rotas e fortalece a competitividade comercial.William Brisida/Itaipu Binacional