BRASÍLIA (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta semana, um balanço das ações do Governo do Brasil ao longo de quase três anos de mandato e afirmou que os resultados alcançados superaram as projeções feitas no início da gestão. A declaração foi dada durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

“Nós ganhamos as eleições para governar o Brasil. E para governar o Brasil, a gente tinha que ter em mente que a arte de governar é cuidar desse país e cuidar do povo brasileiro. E foi isso o que aconteceu”, afirmou o presidente.

Ao fazer a retrospectiva, Lula destacou indicadores econômicos e sociais. Segundo ele, o país voltou a crescer acima de 3%, registrou a menor inflação acumulada dos últimos quatro anos, alcançou o menor nível de desemprego da história recente e bateu recorde na massa salarial. Desde 2023, foram gerados 4,9 milhões de empregos formais, e o desemprego atingiu o menor índice dos últimos 13 anos.

“Nós estamos no menor nível de pobreza da história do país. Nós tiramos o país, pela segunda vez, do Mapa da Fome. Nós estamos, pela primeira vez, fazendo com que um processo de inovação crie uma nova indústria nesse país”, disse Lula. “Em todas as áreas que nós atuamos, conseguimos, se não o sucesso pleno que queríamos, a proeza de fazer com que o Brasil tivesse uma participação exitosa”, completou.

Redução da pobreza e fortalecimento da economia

O presidente ressaltou que a recuperação da economia passa pelo estímulo ao consumo, à geração de empregos e à circulação de renda. “O dinheiro circulando vai para o comércio, do comércio vai para a indústria, da indústria gera emprego, o emprego gera salário e o salário gera mais consumidor. Esse é o resultado desse país”, afirmou.

Para Lula, a construção de um país mais justo depende de uma distribuição mais ampla da renda. “Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria e pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos significa exatamente o contrário. Essa é a tese pela qual a gente acha que um país pode dar certo”, declarou.

Articulação política e agenda econômica

No campo político, Lula destacou a articulação do Executivo com o Congresso Nacional e afirmou que cerca de 99% da agenda econômica enviada ao Legislativo foi aprovada, incluindo a reforma tributária. “É tudo à luz do dia e conversado com o Congresso Nacional. Acho que nunca houve tantas reuniões com ministros, sobretudo com o ministro da Fazenda”, disse, em referência a Fernando Haddad.

Novo PAC e investimentos

O presidente também citou os avanços do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Segundo Lula, quase 79% dos recursos previstos já foram transformados em obras concluídas, em andamento ou contratadas.

“Atualmente, são 34,8 mil empreendimentos, com previsão de investimento de R$ 1,8 trilhão até 2030, nas áreas de saúde, educação, cultura, sustentabilidade, transporte e infraestrutura”, afirmou. “Isso demonstra a fluência e a competência na execução do PAC”, acrescentou.

Imposto de Renda e política tributária

Outro ponto destacado foi a política tributária, com a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. “Esse país vai ter uma política tributária mais equilibrada, em que não sejam apenas a classe média e os trabalhadores os que pagam imposto”, afirmou o presidente.

Política externa, COP30 e jornada de trabalho

Na agenda internacional, Lula afirmou que o Brasil voltou a ocupar posição de destaque nos fóruns globais, com recordes de exportações e aumento do investimento estrangeiro direto. “O Brasil hoje é respeitado em todos os fóruns mundiais”, disse.

O presidente também citou a realização da COP30, em Belém, e a liderança brasileira na transição energética. Segundo ele, o evento projetou a Amazônia no cenário internacional e evidenciou a capacidade de articulação do país.

Sobre a escala de trabalho 6×1, Lula afirmou que o Brasil reúne condições econômicas e sociais para avançar no debate da redução da jornada. “Por que não reduzir a jornada de trabalho para o trabalhador ficar mais tempo em casa, cuidar da família e estudar mais?”, questionou. “A indústria, o comércio e os avanços tecnológicos permitem esse debate”, concluiu.