Fortaleza, CE – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o crescimento econômico sustentável do Brasil depende da inclusão da população de baixa renda no orçamento público. A declaração foi feita nesta quarta-feira (1º), durante entrevista concedida em Fortaleza (CE) à jornalista Bianca Saraiva, da TV Cidade, afiliada da TV Record no estado.
Segundo o presidente, indicadores recentes refletem os resultados dessa estratégia. Entre os dados citados estão a retirada do Brasil do Mapa da Fome da ONU, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a redução da pobreza com 8,7 milhões de pessoas fora dessa condição e da extrema pobreza, que atingiu 3,1 milhões de pessoas. Também foram mencionados a menor taxa de desemprego da série histórica, de 5,4% no trimestre de novembro, dezembro e janeiro de 2026, e o recorde no rendimento médio do trabalho, que chegou a R$ 3.742.
Durante a entrevista, o presidente destacou que a distribuição de renda é central para o desenvolvimento econômico.
“O milagre é a distribuição da riqueza. Não tem outra solução. Ou você coloca o pobre no orçamento ou a economia brasileira vai crescer para poucos. Esse país é muito fácil de ser governado para 35% da população. Eu quero ver você governá-lo para 100%”, afirmou.
Ele também reforçou o impacto da inclusão social no consumo e na atividade econômica.
“Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria. Pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza. Quando você faz política de inclusão social e dá à totalidade da sociedade o direito de comprar o mínimo necessário, o direito de comprar comida, roupa, um chinelo, um sapato, todo mundo começa a participar da economia”, disse.
O presidente explicou que o aumento do consumo gera efeitos em cadeia na economia.
“O pequeno comerciante vende. Ele contrata mais um comerciário, a loja vende uma coisa, contrata mais uma comerciária, a fábrica produz mais uma peça, e a economia vai crescendo”, acrescentou.
Ao comentar a saída do Brasil do Mapa da Fome, Lula associou o resultado à priorização da população mais pobre nas políticas públicas.
“Quando eu cheguei em 2003, tinha 54 milhões de pessoas passando fome. Nós acabamos com isso. Agora, quando eu voltei, tinha 33 milhões de pessoas passando fome. Nós acabamos com isso outra vez”, afirmou.
Ele também mencionou divergências com setores econômicos.
“Isso é difícil, porque a elite brasileira, a Faria Lima, lá em São Paulo, o sistema financeiro, gostaria que o dinheiro que eu gasto em inclusão social fosse para eles e não para o povo pobre”, declarou.
O presidente ressaltou ainda que os resultados econômicos estão associados à condução da política pública.
“Nós temos hoje a maior massa salarial da história do Brasil, o menor desemprego na história do Brasil, o maior aumento de salário mínimo, nós temos a maior exportação, nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. As coisas estão dando certo porque tem muita seriedade”, disse.
Sobre a relação com o Congresso Nacional, Lula destacou a importância do diálogo para a aprovação de medidas econômicas.
“Eu só tenho 70 deputados em 513. Eu só tenho nove senadores em 81. E nós construímos uma política tributária que foi aprovada pela grande maioria”, afirmou.
Ele citou ainda a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
“Nós aprovamos o desconto do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais, que não pagará mais Imposto de Renda. Tudo isso com muita conversa, com muita costura, com muita sensibilidade política”, disse.
Por fim, o presidente destacou a necessidade de estabilidade para o desenvolvimento do país.
“Para um país dar certo, o governante tem que garantir estabilidade fiscal, estabilidade econômica, estabilidade social, estabilidade política e previsibilidade. Ninguém será pego à meia-noite de surpresa com a notícia de um pacote. Tudo é feito à luz do dia”, concluiu.
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