Cabo de Santo Agostinho, PE – Expansão da fábrica do Aché Laboratórios Farmacêuticos, com R$ 267 milhões em incentivos federais, elevará a capacidade produtiva para até 700 milhões de unidades por ano e deve gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, na sexta-feira, 13 de fevereiro, a expansão da unidade do Aché em Cabo de Santo Agostinho, na região do Complexo Industrial Portuário de Suape. A agenda contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do diretor-presidente do laboratório, José Vicente Marino.
A nova estrutura começará a operar em 2026 com capacidade inicial para produzir até 40 milhões de unidades por ano, incluindo medicamentos injetáveis de uso hospitalar e colírios. Durante a visita, o presidente destacou o avanço da produção nacional e a redução da dependência externa.
“Alguns anos atrás, a gente tratava o Brasil como se fosse um país incapaz de produzir os seus próprios remédios. E você acabou de falar que 60% dos remédios já são produzidos no Brasil. Significa que a gente já não é tão dependente como era alguns anos atrás. E você disse mais: nós temos condições de produzir 100% dos nossos remédios aqui”, afirmou Lula.
Em resposta, o diretor-presidente do laboratório reafirmou a meta de ampliar a produção nacional. O presidente reforçou a perspectiva de crescimento do setor.
“Você pode ter certeza que se tem alguém que sonha em chegar a 100% sou eu, porque eu quero o Brasil soberano na questão da saúde. Nós acreditamos que o Brasil vai se transformar numa potência na produção de remédios”, declarou Lula.
O ministro Alexandre Padilha destacou o papel estratégico da indústria farmacêutica nacional, especialmente para o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O Aché tem parcerias com a Fundação Oswaldo Cruz. Essas parcerias são para produzir, pegar tecnologia de medicamentos de outros países para trazer para cá, desenvolver aqui, gerar emprego, renda, tecnologia e tratamento para as pessoas aqui”, explicou.
Expansão e capacidade produtiva
A ampliação da unidade recebeu R$ 267 milhões em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e do Banco do Nordeste, com foco em automação e tecnologia industrial. Desde a instalação da fábrica, em 2019, o empreendimento acumula R$ 1,6 bilhão em incentivos federais.
Com a expansão, o conjunto de unidades do Aché poderá alcançar uma capacidade produtiva de até 700 milhões de unidades por ano. O laboratório também integra a Bionovis, empresa voltada à produção nacional de medicamentos biológicos de alta tecnologia destinados ao SUS, incluindo tratamentos para doenças como artrite reumatoide, psoríase, esclerose múltipla e câncer.
Política industrial e produção nacional
O fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde integra a estratégia do governo federal para ampliar a produção nacional de medicamentos, vacinas e equipamentos médicos. A iniciativa está vinculada ao programa Nova Indústria Brasil, que busca reduzir a dependência de importações e estimular o desenvolvimento tecnológico no país.
Segundo o Ministério da Saúde, o investimento previsto no setor é de R$ 15 bilhões. Desde 2023, foram firmadas 31 novas parcerias entre instituições públicas e privadas para a produção de vacinas, medicamentos e insumos considerados estratégicos para o sistema de saúde brasileiro.