La Paz (Bolívia) – O ex-presidente da Bolívia Luis Arce Catacora (2020–2025) foi preso na tarde desta quarta-feira (9), segundo informou a exministra da Presidência, María Nela Prada, que classificou a ação como um “sequestro totalmente ilegal”. Prada divulgou um vídeo nas redes sociais denunciando que a detenção ocorreu quando Arce “se encontrava sozinho”, sem aviso oficial e sem a presença de familiares.
“Quiero denunciar ante el pueblo boliviano y ante la comunidad internacional que hace un momento acaban de secuestrar al expresidente Luis Alberto Arce Catacora por Sopocachi”, afirmou a exministra, enquanto se dirigia à sede da Fuerza Especial de Lucha Contra el Crimen (FELCC), onde Arce teria sido levado.
Prada também acusou que a operação foi realizada “sin seguir los procedimientos que corresponden”.
Contexto da investigação
A imprensa boliviana aponta que a prisão ocorre no contexto da retomada do chamado caso Fundo Indígena, que voltou à agenda judicial nesta semana após a detenção da ex-deputada Lidia Patty. Patty é a principal acusadora no processo conhecido como Golpe I, que apura as mortes nas regiões de Sacaba e Senkata, em 2019, durante o golpe que levou ao afastamento de Evo Morales.
Após a vitória da direita nas eleições gerais de agosto, o Tribunal Supremo de Justiça ordenou a libertação de Jeanine Áñez, do governador de Santa Cruz Luis Fernando Camacho e do ex-líder cívico de Potosí Marco Antonio Pumari, principais acusados no mesmo processo.
Momento da prisão
De acordo com relatos de agentes policiais citados pela imprensa local, Arce foi detido por volta das 15h (hora local) e colocado em uma caminhonete branca rumo à sede da FELCC. As mesmas fontes afirmam que o ex-presidente, que deixou o cargo em novembro, teria reagido de maneira tranquila ao ser abordado pelos policiais.
A detenção gerou forte repercussão política e internacional, com autoridades e organizações observando atentamente o desenrolar do caso.