O deputado federal Zeca Dirceu (PT) destacou nesta quarta-feira (1º) o avanço do Brasil rumo à meta de ter 100% da merenda escolar orgânica produzida pela agricultura familiar até 2030. A declaração ocorre após a sanção de uma lei pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que eleva de 30% para 45% a exigência de compra de alimentos da agricultura familiar pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

“É alimento de mais qualidade, orgânico e agroecológico, que chega às escolas brasileiras e que contribuiu de forma significativa para tirar o Brasil do Mapa da Fome”, afirmou o parlamentar. Segundo ele, a medida também fortalece a economia rural: “É mais emprego e mais venda no campo, nas pequenas propriedades, que produzem arroz, feijão, leite, frutas e verduras que estão no dia a dia da nossa mesa”.

Impacto econômico e social

De acordo com Zeca Dirceu, o Pnae atende 2,13 milhões de estudantes e 7,99 mil escolas no Paraná, com um repasse anual de R$ 178,5 milhões. Em 2025, o orçamento do programa nacional foi de R$ 5,5 bilhões, após cinco anos congelado. O modelo é considerado pela ONU “um dos maiores e melhores projetos de alimentação escolar do mundo”.

Um estudo do Observatório da Alimentação Escolar mostra que cada R$ 1 investido pelo Pnae gera R$ 1,52 de crescimento no PIB agrícola e R$ 1,66 no PIB pecuário, confirmando o efeito multiplicador do programa.

Experiência local

O deputado lembrou ainda que, quando prefeito de Cruzeiro do Oeste (2006–2010), alcançou 80% de aquisição da merenda escolar junto à agricultura familiar. A iniciativa foi reconhecida com prêmio da Associação Brasileira de Municípios pelo programa Terra Fértil, que apoiava hortas comunitárias urbanas e rurais.

Para Zeca Dirceu, o desafio agora é convencer gestores locais a ampliar a participação da agricultura familiar independentemente da exigência legal. “O presidente Lula mostra que o Brasil também está avançando no cumprimento das metas da ONU. O ideal seria que prefeitos e governadores ampliassem por convicção, como muitos já fazem, e não apenas por obrigação”, concluiu.