O ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, de 82 anos, recebeu o diagnóstico de uma “forma agressiva” de câncer de próstata. A informação foi divulgada neste domingo, dia 18 de maio, por meio de uma declaração oficial de seu gabinete pessoal. Segundo o comunicado, a doença se disseminou para os ossos, caracterizando metástase óssea.
O comunicado do gabinete de Biden detalha os eventos que levaram ao diagnóstico: “Na semana passada, o presidente Joe Biden foi examinado para a descoberta de um novo nódulo na próstata após apresentar sintomas urinários crescentes. Na sexta-feira, ele foi diagnosticado com câncer de próstata, caracterizado por um escore de Gleason de 9 (Grupo Grau 5) com metástase óssea”.
A metástase ocorre quando as células cancerígenas se desprendem do tumor original e se espalham, atingindo outras partes do corpo, o que indica um estágio mais avançado da doença.
A nota oficial também traz uma perspectiva sobre o tratamento: “Embora isso represente uma forma mais agressiva da doença, o câncer parece ser sensível a hormônios, o que permite um tratamento eficaz”.
O comunicado finaliza informando que Biden e sua família “estão revisando as opções de tratamento com seus médicos”.
Joe Biden encerrou seu mandato como Presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro deste ano, quando Donald Trump assumiu a Casa Branca. Ele se tornou o presidente em exercício mais velho na história americana ao assumir o cargo em 2021.
Ao longo de sua presidência, Biden enfrentou constantes questionamentos públicos sobre sua idade e estado de saúde. Tais preocupações estiveram entre os fatores que levaram à sua decisão de não buscar a reeleição.
Desde que deixou o cargo em janeiro, Biden tem mantido um perfil relativamente discreto. No entanto, na semana passada, ele concedeu duas entrevistas, em um período que marca os primeiros 100 dias da atual gestão de Donald Trump.
Um dia antes de ser internado em um hospital na Filadélfia na última sexta-feira, Biden e a ex-primeira-dama, Jill Biden, estiveram em Manhattan. Eles concederam uma entrevista conjunta ao programa de TV “The View”, ocasião em que o ex-presidente defendeu seu desempenho no cargo e sua saúde mental.
Sobre os questionamentos a respeito de um suposto declínio em seu último ano de mandato, Biden declarou: “Eles estão errados. Não há nada que sustente isso”.
Contexto: Questionamentos Durante a Campanha Eleitoral
Joe Biden, que presidiu os Estados Unidos de 2021 a 2024, chegou a apresentar sua candidatura à reeleição no ano passado, aos 81 anos. Desde o princípio da campanha, sua idade avançada tornou-se um ponto central de debate. Se eleito em novembro, Biden teria sido o presidente mais idoso a assumir um novo mandato na história dos EUA.
Ao longo do período eleitoral, sua saúde foi alvo de questionamentos por parte de adversários e até mesmo dentro de seu próprio partido. As críticas ganharam força especialmente após o primeiro debate, realizado no final de junho, quando o desempenho de Biden foi marcada por falas percebidas como confusas e repetitivas, levantando preocupações sobre sua condição.
Pouco após o debate, durante a primeira entrevista coletiva, o ex-presidente cometeu um lapso ao confundir o nome de sua então vice-presidente, Kamala Harris, com o de seu adversário republicano, Donald Trump. A confusão ocorreu ao responder uma pergunta sobre a capacidade de Kamala Harris em uma disputa contra Trump.
Na ocasião, Biden declarou, em aparente referência a Kamala Harris: “Eu não teria escolhido Trump se não achasse que teria chance de vencer”.
Mais cedo no mesmo dia, o então presidente americano já havia cometido outro lapso durante seu discurso no último dia da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Washington. Ao apresentar o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, que estava ao seu lado, Biden o chamou pelo nome do presidente russo, Vladimir Putin.
O momento foi descrito da seguinte forma: “E agora gostaria de passar a palavra ao presidente da Ucrânia, que é tão corajoso quanto determinado. Senhoras e senhores, presidente Putin”, anunciou Biden, retornando ao púlpito para se corrigir quando a plateia já havia começado a bater palmas. “Presidente Putin? Temos de derrotar o presidente Putin. Presidente Zelensky! Estou tão concentrado em derrotar Putin… temos de nos preocupar com isso”, disse.
Diante do cenário e dos questionamentos, no final de julho do ano passado, o então presidente Joe Biden decidiu retirar sua candidatura à reeleição. Ele declarou seu apoio à sua então vice-presidente, Kamala Harris, para representar o Partido Democrata na disputa presidencial.
Em uma carta divulgada em suas redes sociais, Biden explicou sua decisão: “Tem sido a maior honra da minha vida servir como seu Presidente”. E acrescentou: “E, embora minha intenção tenha sido buscar a reeleição, acredito que é do melhor interesse do meu partido e do país que eu me retire e me concentre exclusivamente em cumprir meus deveres como Presidente pelo restante do meu mandato”.
Nas eleições de novembro, Kamala Harris foi derrotada por Donald Trump. O também ex-presidente americano obteve 312 votos no Colégio Eleitoral (o necessário para vencer são 270) e foi reconduzido ao cargo na Casa Branca em 20 de janeiro deste ano.