Foz do Iguaçu, PR – A Itaipu Binacional integrou, pela primeira vez, um jovem neurodivergente ao Programa de Iniciação e Incentivo ao Trabalho (PIIT), em uma ação voltada à inclusão social. A iniciativa é resultado de parceria com a Apae de Foz do Iguaçu (PR) e tem como primeiro participante o adolescente Ryann Mateus Marques de Lima, de 17 anos.
Ryann tem deficiência intelectual e atua três manhãs por semana na Divisão de Microinformática da Itaipu. Ele concilia as atividades na usina com a participação na Guarda Mirim e aulas na Apae. “Fiquei muito feliz quando veio a confirmação de que a vaga na Itaipu seria minha. Aqui eu aprendo bastante, conheço novas pessoas, consigo ganhar meu próprio dinheiro e ajudar a minha família”, afirma o jovem, que utiliza transporte público de forma independente e diz que sonha em se tornar ator.
Segundo a supervisora direta, Jonara Adriana Oliveira Americo, o desempenho do aprendiz é positivo. “Ele é muito esperto, aprende rápido e já conhece a usina inteira”, destaca. Ryann está em treinamento para atividades como cadastro de equipamentos de informática. Para Jonara, o processo de acolhimento também envolve aspectos humanos. “Receber um PIIT exige carinho, empatia e paciência. Eles chegam muito crus da vida lá fora”, afirma.
A parceria com a Apae surgiu a partir do diálogo entre a instituição e a coordenação do programa. “Em Foz ainda não havia iniciativas que permitissem a participação de PCDs em programas de aprendizagem. Essa parceria abre novas possibilidades”, explica Leonardo Correa Lugon, diretor social da Apae Foz e também empregado da Itaipu.
De acordo com Lugon, a ampliação da inclusão é uma meta permanente. “Estamos sempre buscando oportunidades para ampliar a inclusão de PCDs. Nos últimos anos, focamos na geração de emprego, renda e no mercado de trabalho. Isso muda a vida das pessoas com deficiência e dos seus familiares”, comenta.
O coordenador do PIIT, Vinícius Ortiz de Camargo, ressalta o papel dos supervisores no processo de acolhimento. “A melhor forma de acolher é receber o adolescente como adolescente, não como adolescente PCD ou qualquer outra categoria”, afirma. Segundo ele, o acompanhamento exige tempo, adaptações no ambiente e atenção contínua, com reflexos no desenvolvimento profissional e pessoal dos participantes.
Ortiz também aponta impactos nas equipes. “O caminho é conhecer para naturalizar”, diz, ao destacar que a convivência diária contribui para reduzir estereótipos e receios.
A assistente social da Itaipu, Andreia Pereira Duarte Trevisan, afirma que o contato com diferentes realidades fortalece a cultura de respeito. “Nós aprendemos com a diversidade. Conhecer pessoas e contextos diferentes favorece esse ambiente mais respeitoso. As pessoas passam a enxergar a pessoa com deficiência como alguém que contribui, aprende e ensina”, completa.
Ela também ressalta o caráter social da iniciativa. “Quando abrimos espaço para pessoas com deficiência, estamos promovendo justiça, equidade e oportunidades reais. Estamos dizendo, por meio de ações, que cada pessoa importa e que todas merecem viver com dignidade, respeito, participar e ser reconhecidas”, afirma.
Para Jonara, a experiência pode incentivar outras organizações. “O que a Itaipu está fazendo no campo da inclusão social é muito importante. Eu gostaria muito que outras empresas dessem oportunidades para alunos da Apae. Lá tem muitos jovens com condições de trabalhar e aprender no ambiente corporativo. Eles são muito inteligentes e merecem ter mais oportunidades”, finaliza.
Direito à profissionalização
O PIIT é um programa da margem brasileira da Itaipu Binacional, em parceria com a Guarda Mirim de Foz do Iguaçu, com a finalidade de promover o direito à profissionalização de adolescentes integrantes de famílias em situação de vulnerabilidade ou risco social.
Os participantes recebem bolsa-auxílio mensal equivalente a um salário mínimo, além de seguro de vida, vale-transporte, vale-alimentação e assistência médica e odontológica.
Atualmente, 71 adolescentes participam do programa, que já atendeu cerca de 7 mil pessoas desde sua fundação, em 1988. Para ingressar, o jovem deve se inscrever na Guarda Mirim e estar matriculado e frequentando regularmente o ensino fundamental ou médio.
Prefeitura pavimenta oito quadras da Avenida Bicentenario em Ciudad del Este