Foz do Iguaçu, PR – A Itaipu Binacional vai realizar um aporte de US$ 285 milhões ao longo de 2026 o equivalente a cerca de R$ 1,5 bilhão para garantir a continuidade do valor vigente da tarifa de repasse de energia aos consumidores regulados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Com a medida, a tarifa de repasse permanecerá em US$ 17,66 por kW/mês até dezembro de 2026, mesmo patamar praticado desde 2024. As reduções sucessivas consolidaram Itaipu como uma das fontes de energia mais econômicas e estratégicas do mercado regulado, contribuindo diretamente para a modicidade tarifária e o alívio no orçamento das famílias.
Redução histórica após quitação da dívida
Até 2021, a tarifa de repasse da energia de Itaipu manteve-se estável, com média de US$ 27,86 por kW/mês. A quitação da dívida de construção da usina, concluída em 2023, abriu espaço para uma redução expressiva, da ordem de 27,4%.
Para o período de 2024 a 2026, a tarifa foi fixada em US$ 17,66 por kW/mês, o que representa uma queda acumulada de aproximadamente 36,6% em relação ao patamar anterior. “Os resultados demonstram que Itaipu é muito mais do que uma usina: é um instrumento estratégico do Estado brasileiro para garantir energia limpa, segurança operativa, tarifas justas e alívio concreto no bolso do cidadão”, afirmou o diretor financeiro executivo da Itaipu, André Pepitone.
Energia competitiva no mercado regulado
Em 2025, a energia de Itaipu atingiu o valor de R$ 221,30 por MWh, posicionando-se abaixo das usinas sob o regime de cotas definido pela Lei nº 12.783/2013, fixadas em R$ 222,59 por MWh. O valor também é significativamente inferior ao custo médio do Ambiente de Contratação Regulada (ACR) em 2025, estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em R$ 307,29 por MWh.
A competitividade torna-se ainda mais evidente quando comparada ao ACR médio projetado pela ANEEL para 2026, de R$ 342,71 por MWh, reforçando o papel de Itaipu como um instrumento-chave de previsibilidade, estabilidade e modicidade tarifária para o portfólio das distribuidoras.
Na análise dos contratos firmados em leilões de energia realizados nos últimos dez anos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o desempenho é ainda mais expressivo: em 2025, o custo da energia de Itaipu ficou 33,5% abaixo da média dos leilões, que foi de R$ 362,20 por MWh.
Pilar de estabilidade do sistema elétrico
Além do fator preço, Itaipu desempenha um papel central na estabilidade do Sistema Elétrico Brasileiro. A usina gera energia próxima ao principal centro de consumo do país: o Sudeste, região que concentra a maior demanda por eletricidade. Enquanto o Norte e o Nordeste apresentam grande oferta de energia, especialmente de fontes intermitentes como a solar e a eólica, Itaipu contribui para o equilíbrio do sistema ao reforçar o abastecimento no Sudeste.
Com o avanço dessas fontes renováveis no país, a usina passou a exercer um papel ainda mais estratégico: garantir a segurança operativa. Itaipu tem capacidade de ampliar rapidamente sua geração nos horários de maior demanda, como no fim da tarde quando a geração solar diminui, ajudando a evitar oscilações e assegurando o fornecimento contínuo de energia para residências, comércio e indústria.
Perspectivas para 2027
A tarifa a ser adotada a partir de 2027 dependerá de consenso binacional, conforme estabelece o Tratado de Itaipu. As negociações para a revisão do Anexo C foram retomadas pelas chancelarias do Brasil e do Paraguai.
O governo brasileiro defende a continuidade da política de redução tarifária, especialmente após a quitação da dívida da usina em 2023. Qualquer alteração, no entanto, somente poderá ser implementada mediante acordo entre os dois países.