Em meio a busca de alimento, o exército de Israel atacou uma multidão de palestinos que aguardava em fila por alimentos em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. O ataque, que utilizou gás lacrimogêneo, spray de pimenta e munição real, resultou na morte de pelo menos 21 pessoas, conforme relatos de médicos e sobreviventes.

O Ministério da Saúde de Gaza notificou que, pela primeira vez, mortes por asfixia foram registradas devido à intensa debandada de cidadãos nos centros de distribuição de ajuda. Testemunhas afirmam que mercenários associados a uma fundação administrada por Israel e EUA dispararam gás lacrimogêneo contra milhares de civis desarmados, gerando um caos mortal.

Entre os que perderam a vida, 15 faleceram devido à inalação do gás. O correspondente da agência de notícias WAFA caracterizou a ação como um ataque a um alvo vulnerável, dado que os civis, famintos e desarmados, esperavam ansiosos por assistência humanitária. A utilização de gás lacrimogêneo em um contexto tão vulnerável transformou os centros de distribuição em armadilhas letais.

Uma testemunha descreveu a cena caótica: “Estávamos correndo como todo mundo. Chegamos ao portão e percebemos que estava fechado, havia milhares de pessoas lá. Os americanos, que supostamente deveriam estar garantindo a distribuição de alimentos, dispararam gás lacrimogêneo contra a multidão, provocando uma debandada que resultou em várias mortes.”

Uma fonte médica do Hospital Nasser, em entrevista à agência AFP, relatou que as vítimas buscavam desesperadamente ajuda, mas o portão principal do centro de distribuição estava fechado. “As forças de ocupação israelenses e os seguranças privados do centro abriram fogo, resultando em um número alarmante de mortos e feridos”, declarou a fonte.

Cenário humanitário e alertas da ONU

Recentemente, o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas divulgou que pelo menos 798 palestinos foram mortos no enclave desde o final de maio enquanto tentavam conseguir alimentos para suas famílias, evidenciando a crescente letalidade das operações de distribuição de ajuda.

No início deste mês, 169 organizações humanitárias solicitaram o fim do mecanismo de distribuição de ajuda entre EUA e Israel, liderado pela “Fundação Humanitária de Gaza” (GHF). Elas relataram eventos frequentes de palestinos sendo baleados e mortos enquanto aguardavam por assistência.

A porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Ravina Shamdasani, ressaltou que a maioria das vítimas apresentava “ferimentos de bala”. Tanto o exército israelense quanto os contratados da GHF foram acusados de perpetrar esses assassinatos.

A ONU classificou os locais de atuação do GHF como “armadilhas mortais” e “inerentemente inseguros”, caracterizando estas ações como violações dos padrões de imparcialidade humanitária.

As últimas mortes próximas a centros de distribuição de ajuda ocorreram após um ataque israelense a um campo de deslocados em al-Mawasi, que resultou na morte de nove pessoas. No total, pelo menos 81 palestinos, incluindo 25 em busca de ajuda, foram mortos nesta quarta-feira, segundo informações de fontes médicas.