Foz do Iguaçu, PR O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) disponibilizou gratuitamente quatro edições da coletânea (Re) Definições das Fronteiras, reunindo mais de 80 artigos acadêmicos dedicados ao estudo das regiões de fronteira no Brasil e no exterior. O acesso pode ser feito pelo link: https://www.idesf.org.br/2026/02/01/colecao-redefinicoes-das-fronteiras/

Publicadas entre 2017 e 2021, as obras reúnem pesquisas de estudiosos de diferentes regiões fronteiriças e abordam temas como localidades fronteiriças vinculadas, bitributação internacional, reexportação, crimes transnacionais, contrabando, descaminho, cooperação policial, Mercosul, União Europeia, desenvolvimento e integração das fronteiras brasileiras, tráfico de pessoas, governança e políticas públicas.

A coleção está organizada nas seguintes edições: (Re) Definições das Fronteiras – Visões Interdisciplinares (2017); Velhos e Novos Paradigmas e Gestão e Planejamento Estratégico de Fronteiras (2018); Desafios para o Século XXI(2019); Desenvolvimento, Segurança e Integração (2020); e Trajetórias da Crise Global (2021).

O presidente do IDESF, Luciano Stremel Barros, afirma que uma das principais contribuições do Instituto é fomentar e reunir estudos voltados às fronteiras.

“Ao longo dos anos fizemos um percurso editorial para estimular os debates e ajudar na construção do conhecimento sobre essas regiões peculiares, que necessitam de um olhar mais aprofundado, análises e interações que possam gerar dados e contribuições para a construção de políticas públicas e para a governança nessas áreas”, declarou.

Fernando José Ludwig, um dos organizadores da coletânea, destaca que o projeto ultrapassou o campo editorial.

“Sempre carregou uma ambição que transcendia o campo editorial: a tentativa de intervir simbolicamente em uma realidade frequentemente marcada por violência, discriminação e invisibilidade institucional”, afirmou.

Segundo ele, a proposta buscou alterar percepções sobre o conceito de fronteira.

“Propunha-se a evidenciar que fronteiras não são meros limites cartográficos, mas espaços densos de cultura, saberes, identidades e integração. Defendia-se que tais territórios exigem políticas públicas e privadas eficazes, orientadas por evidências e sensibilidade social”, explicou.

Histórico e expansão internacional

A primeira edição foi lançada em 2017, com eventos realizados em Portugal, na Universidade de Coimbra, e no Brasil, nas cidades de Foz do Iguaçu (PR), Rio de Janeiro (RJ), Santana do Livramento (RS), Porto Nacional (TO), João Pessoa (PB) e Goiânia (GO).

Fernando relembra que a iniciativa surgiu a partir de diálogos informais entre pesquisadores e a presidência do Instituto.

“A origem foi mais orgânica. A intenção era ultrapassar a mera publicação de textos: pretendia-se aproximar a universidade do IDESF e, sobretudo, conferir método, rigor e sistematicidade científica aos estudos sobre fronteiras”, disse.

Ele também descreveu o processo de consolidação do projeto.

“O que começou como registros esparsos em cadernos — ideias, palavras-chave, perguntas sem resposta gradualmente transformou-se em um esboço coerente. Esse esboço foi acolhido, debatido e amadurecido até se converter em proposta concreta”, relatou.

A primeira apresentação pública ocorreu na Universidade de Coimbra, na Sala Keynes, junto ao curso de Relações Internacionais.

“Ali não se firmou apenas uma exposição de ideias, mas um compromisso: o de construir uma série contínua de publicações sobre fronteiras, sustentada por dados, análises comparativas e rigor metodológico, em diálogo com docentes e pesquisadores locais”, afirmou.

Além de Portugal, a obra também foi difundida em Salamanca, na Espanha.

“A partir desses núcleos, a série se ramificou, estabelecendo redes de colaboração que ampliaram seu alcance geográfico e temático”, explicou Fernando.

Diversidade de autores e reconhecimento acadêmico

A coletânea reúne acadêmicos, agentes públicos, integrantes de organizações regionais, profissionais da segurança pública e pesquisadores independentes. Luciano destaca que a diversidade de autores e temas fortalece o debate qualificado sobre fronteiras.

Fernando acrescenta que, ao longo do tempo, pesquisadores de diferentes países e tradições intelectuais passaram a integrar o projeto, ampliando as perspectivas analíticas sobre o conceito de fronteira.

Em 2022, a iniciativa passou a adotar também o formato de revista científica, mantendo o legado editorial e adaptando-se às novas dinâmicas de circulação do conhecimento. A série é reconhecida pelo sistema Qualis-CAPES.

Para Fernando, o debate permanece em evolução.

As (re)definições, longe de se encerrarem, permanecem em curso como as próprias fronteiras que buscam interpretar”, concluiu.

 

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