O Brasil tem hoje menos homens do que mulheres. Segundo a PNAD Contínua 2024, do IBGE, existem 95 homens para cada 100 mulheres. A diferença aumenta em faixas etárias mais altas e em alguns estados. No Rio de Janeiro, entre pessoas com mais de 60 anos, são apenas 70 homens para 100 mulheres. Em São Paulo, o índice chega a 77 para 100.
No Censo 2022, a população brasileira somava 104,5 milhões de mulheres e 98,5 milhões de homens — cerca de 6 milhões a mais. O IBGE aponta como principais fatores as chamadas causas externas, como acidentes graves e violência urbana, que atingem mais os homens, além dos cuidados com a saúde, mais presentes entre as mulheres.
Histórico e transição demográfica
O fenômeno não é novo. A série histórica mostra que, desde 2012, a população brasileira mantém equilíbrio próximo de 49% de homens e 51% de mulheres, com pequenas variações. A mudança demográfica — envelhecimento populacional e queda na taxa de natalidade — acentua a diferença.
“Nascem mais homens do que mulheres, mas, ao longo da vida, eles morrem mais cedo, sobretudo por mortes violentas e acidentes. As mulheres vivem mais porque tendem a se cuidar mais”, explicou o analista do IBGE William Kratochwill.
Exceções
Na maioria das regiões do país, as mulheres são maioria. As exceções são Tocantins, onde há 105,5 homens para cada 100 mulheres, e Santa Catarina, com 100,9 para 100. Segundo especialistas, atividades econômicas como mineração e agronegócio podem atrair mais trabalhadores homens e alterar a proporção local.
Impactos sociais
Pesquisadores apontam que a disparidade entre os gêneros não é necessariamente negativa para as mulheres. Paul Dolan, professor da London School of Economics, ressalta que mulheres solteiras e sem filhos tendem a ser mais felizes e saudáveis do que casadas, enquanto os homens se beneficiam mais do casamento em termos de cuidados com a saúde.