Foz do Iguaçu–PR. Em 26 de março de 1965, antes mesmo do golpe civil-militar completar seu primeiro aniversário, o silêncio imposto pelos quartéis foi rompido no interior do Rio Grande do Sul. Liderada pelo ex-coronel Jefferson Cardin Osório, a Operação Três Passos marcou a estreia da guerrilha rural contra a ditadura de 1964.

O grupo, formado por camponeses, militares de baixa patente e profissionais liberais de vertente trabalhista e brizolista, ficou conhecido popularmente como a “Guerrilha dos Dentes de Ouro” — uma alusão aos implantes dentários ostentados com orgulho pelos insurgentes do campo.

O Assalto e o Manifesto na Rádio

A ação foi audaciosa. Os revolucionários tomaram o presídio e o destacamento da Brigada Militar em Três Passos, confiscando armas, munições e fardamentos. Para garantir o efeito político, cortaram as linhas telefônicas e invadiram a Rádio Difusora. Sob a mira de metralhadoras, os proprietários foram obrigados a transmitir o manifesto do grupo ao vivo, denunciando as arbitrariedades do regime instalado em 31 de março de 1964.

A coluna rebelde seguiu por Tenente Portela, Barra do Guarita e Itapiranga (SC), avançando em direção ao Paraná. No entanto, o sonho de uma insurgência nacional foi interrompido em solo paranaense.

A Emboscada em Leônidas Marques e a Tortura em Foz

No dia 28 de março de 1965, o grupo caiu em uma emboscada em Capitão Leônidas Marques–PR. Presos, os guerrilheiros foram conduzidos ao então 1º Batalhão de Fronteiras em Foz do Iguaçu, onde foram submetidos a, sessões de tortura antes de serem transferidos e condenados em Curitiba.

Enquanto Jefferson Cardin manteve sua integridade até o fim da vida, morrendo no Rio de Janeiro em 1995, outro líder do movimento tomou um caminho sombrio. Albery Vieira dos Santos, ex-sargento da Brigada Militar, após ser preso, tornou-se informante do Centro de Informações do Exército (CIE).

Traição no Parque Nacional: A Operação Juriti

Anos depois, Albery seria a peça-chave da Operação Juriti. Infiltrado na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ele atraiu militantes exilados na Argentina para uma armadilha fatal no Parque Nacional do Iguaçu, sob ordens do coronel Paulo Malhães.

Na mítica Estrada do Colono, cinco militantes — Joel José de Carvalho, Daniel de Carvalho, José Lavéchia, Victor Carlos Ramos e Ernesto Ruggia — foram executados a sangue-frio por um grupo de extermínio do Exército. O sexto integrante, Onofre Pinto, foi levado para a “Casa da Morte” de Foz do Iguaçu, onde também foi assassinado.

Albery Vieira dos Santos, o traidor que trocou a guerrilha pelo serviço sujo da ditadura, foi misteriosamente assassinado no Oeste paranaense em 1977, levando consigo muitos segredos de uma era de trevas.

(Do livro Onde foi que vocês  enterraram nossos mortos?, de Aluízio Palmar, 2004)

 

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