Brasília – No coração da capital federal, o clima é de tensão e resistência. Lideranças da Aty Guasu, a grande assembleia do povo Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul, ocuparam a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) para exigir a publicação imediata do relatório de identificação e delimitação de seus territórios tradicionais.
O foco central é a Terra Indígena (TI) Dourados-Amambai Peguá I, situada na região de Caarapó (MS). O território engloba mais de 13 áreas tradicionais — os chamados tekoha — de onde as comunidades foram expulsas no passado e confinadas em reservas sobrecarregadas, como a de Tey’i Kue, que hoje não comporta mais a população.
A Luta Contra o Tempo Político
O movimento ocorre em um momento de incerteza nacional. Com a proximidade do desdobramento do impeachment da presidente Dilma Rousseff, os indígenas temem que qualquer mudança no Governo Federal paralise definitivamente os processos de demarcação.
“Este papel que está aqui para ser assinado não tem vida, mas por causa dele nosso povo está morrendo lá. Sem educação, sem saúde, sem médico. Crianças estão morrendo”, desabafou Elson Guarani e Kaiowá durante reunião com o presidente da Funai, João Pedro Gonçalves.

Relatórios Prontos, Mas Engavetados
A denúncia da Aty Guasu é de que os estudos antropológicos e técnicos já foram finalizados há anos. Segundo as lideranças, a falta de publicação é uma decisão política que favorece os conflitos e a atuação de milícias rurais (jagunços) na região.
Os indígenas reforçam que não aceitarão “módulos de terra menores” ou novas reservas. Eles exigem o desenho original feito pelos antropólogos em conjunto com os anciões e historiadores da etnia.

Despejo Dentro da “Casa”
Após uma reunião sem uma resposta definitiva, os indígenas decidiram permanecer na recepção da Funai, mas foram retirados pela segurança e levados para o subsolo do edifício. “A Funai é a nossa casa. Só que nem na nossa casa a gente tem direitos, fomos expulsos e despejados da recepção”, afirmou Clara Guarani e Kaiowá.
Uma nova reunião está marcada para esta quarta-feira (11/05), onde o presidente do órgão prometeu uma posição final sobre a assinatura dos documentos.
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