Entregadores de aplicativos como iFood, Uber Flash e 99 realizam uma greve nacional de 48 horas. O movimento, denominado “Breque Nacional dos Apps 2025”, busca chamar a atenção para a precarização das condições de trabalho e exige um reajuste na remuneração básica.
Entre as principais reivindicações estão o aumento da taxa mínima por entrega para R$ 10, o aumento do valor por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50, a limitação do raio de atuação das bicicletas a três quilômetros e o pagamento integral por pedidos agrupados. Além das greves e manifestações que ocorrem hoje, o movimento convocou um protesto amanhã às 9h na Esplanada dos Ministérios.
“Somos precarizados há muito tempo e sabemos que é a remuneração que determina o quanto tempo precisamos trabalhar e ficar na rua, nos arriscando”, afirma Junior Freitas, uma das lideranças do movimento em São Paulo.
Abel Rodrigues dos Santos, diretor da Associação dos Trabalhadores de Aplicativos e Motociclistas do Distrito Federal e Goiás (Atam-DF/GO), destaca: “Estamos lutando desde 2019, porque a pauta não muda. Não houve uma melhora real por parte das empresas de aplicativo.”
Rodrigues explica que o último reajuste na taxa de entrega ocorreu em 2022, mas não resultou em ganho real para os trabalhadores. “Antes do reajuste, recebíamos R$ 5,30 por 3 km rodados. Agora, com o aumento para R$ 6,50, a quilometragem passou para 5 km. Rodamos mais, gastamos mais gasolina e desgastamos nossos veículos, e todos esses custos recaem sobre o trabalhador. O que antes fazia em 10 horas, hoje exige 15 horas”, afirma.
Sobre o modelo de pedidos agrupados, muito utilizado por plataformas como o iFood, Rodrigues explica que “o entregador faz sua entrega e, ao mesmo tempo, a entrega do seu vizinho. No entanto, a taxa recebida é considerada como se fosse uma única entrega, enquanto as empresas recebem o valor integral de ambas”.
A segurança dos trabalhadores também é uma preocupação central. “Em 2021, 2023 e 2024, vimos um aumento no número de acidentes. Perdemos colegas constantemente. As empresas de aplicativo são as únicas que não pagam o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT)”, critica Abel.
“Há entregadores com invalidez permanente ou temporária, problemas de saúde por esforço repetitivo, crises de depressão devido ao estresse constante e sobrecarga de trabalho. Isso é desumano”, denuncia.
Além disso, ele critica o Projeto de Lei Complementar nº 12/2024, apresentado pelo Executivo, que busca regulamentar a profissão. Segundo Rodrigues, “o PL não tramitou porque é um texto ruim. Ele prejudica o trabalhador, não garante direitos e sequer obriga o pagamento do SAT. Esse projeto de lei só beneficia as empresas de aplicativo”.
As manifestações também têm como objetivo chamar a atenção de autoridades públicas. “Se o poder público não estiver do lado do trabalhador, as coisas ficam muito mais difíceis”, conclui Junior Freitas.