Curitiba–PR. Enquanto o Paraná atravessava uma severa crise financeira em 2014, o Diário Oficial do Estado revelava uma prioridade controversa do governo Beto Richa (PSDB): o investimento em arsenal repressivo. Ao longo daquele ano, a Secretaria de Segurança Pública (SESP) destinou R$ 6,3 milhões à empresa Condor S/A Indústria Química, líder no mercado de “munições de baixa letalidade”.
O valor representa um salto impressionante de 470% em relação ao início do mandato de Richa, em 2011. A compra foi realizada por inexigibilidade de licitação, modalidade que ocorre quando não há concorrência, permitindo que a empresa estabeleça margens de lucro sem a pressão de outros orçamentos.
O Arsenal Contra os Servidores
O material adquirido — que inclui sprays de pimenta, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo modelos GL-202 e GL-203 — foi a peça central da repressão ao protesto dos professores e servidores públicos em 29 de abril de 2015.
Estima-se que apenas em uma tarde de ataque na Praça Nossa Senhora de Salette, o custo das bombas lançadas tenha ultrapassado os R$ 360 mil. Especialistas apontam que modelos como o GL-202 possuem alcance de 150 metros, transformando a praça em frente à Assembleia Legislativa em um verdadeiro campo de batalha.
Comparativos de Prioridade: Armas vs. Saúde
Para dar a dimensão do montante gasto com a Condor S/A, o Fronteira Livre preparou um comparativo de investimentos com base em dados oficiais:
| Item | Valor / Investimento | Equivalência em Infraestrutura |
| Contrato Condor 2014 | R$ 6,3 Milhões | 8 Unidades Básicas de Saúde |
| Arsenal do 29 de Abril | R$ 360 Mil (est.) | Meia Unidade Básica de Saúde |
| Contrato MS (mesmo período) | R$ 179 Mil | Diferença de 3.400% a menos que o PR |
O gasto isolado do Paraná com a empresa representou 12% de todo o investimento feito pela União para atender os 12 estados-sede da Copa do Mundo de 2014. O dado gera estranheza, visto que o Governo Federal já havia repassado equipamentos de segurança para o estado no valor de R$ 3,7 milhões.
Silêncio e Investigação
Questionada sobre o volume de munição utilizado e os critérios técnicos da operação, a SESP limitou-se a informar que o caso está sob investigação do Ministério Público e das polícias Civil e Militar. Após o massacre, um decreto foi assinado para “disciplinar” o uso desses materiais, mas as marcas da repressão financiada com o erário público permanecem na história paranaense.
A Condor S/A, situada no Rio de Janeiro, exporta seus artefatos para 41 países, sendo recorrentemente citada em relatórios de repressão a manifestações na Grécia, Turquia e Bahrein.
Juventude de Foz aprova moção de repúdio contra Consórcio Sorriso em conferência municipal