O Hamas libertou quatro reféns israelenses como parte de um acordo de trégua na Faixa de Gaza. O governo brasileiro celebrou o início do cessar-fogo, que começou efetivamente em 19 de janeiro, após mais de um ano e três meses de conflito. A libertação de reféns ocorreu na manhã deste sábado (25), às 6h, pelo horário de Brasília.

Embora o Itamaraty tenha manifestado satisfação com o acordo, fontes diplomáticas ressaltam a necessidade de monitorar atentamente os desdobramentos, dado o longo cronograma do cessar-fogo. Há preocupações sobre possíveis cenários adversos que podem surgir e a possibilidade de novos ataques após a trégua.

O acordo prevê um cessar-fogo de 42 dias, durante o qual Israel deve liberar pelo menos 737 prisioneiros palestinos. Além disso, o combate em Gaza será suspenso, embora as operações militares israelenses na Cisjordânia continuem. O acesso à ajuda humanitária para os palestinos também deverá ser ampliado.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores destacou que o governo brasileiro “tomou conhecimento, com grande satisfação”, do cessar-fogo, que é visto como um passo positivo diante das mais de 47 mil mortes e da devastação na região.

Enquanto a primeira fase do acordo avança, diplomatas alertam para a importância de acompanhar cuidadosamente cada passo, visto que qualquer erro pode comprometer o processo. O Itamaraty enfatiza que o Hamas permanece ativo e que a hostilidade em relação a Israel não deve diminuir, especialmente considerando a resiliência demonstrada pela população palestina.

Outro fator que gera incerteza é o suposto enfraquecimento da Autoridade Palestina, reconhecida internacionalmente como interlocutora nas negociações. A falta de uma liderança palestina forte e legítima na Faixa de Gaza levanta questões sobre o futuro da região após o conflito.

Na mesma nota, o Itamaraty reafirmou o compromisso do Brasil com a solução de dois Estados, defendendo um Estado da Palestina independente e viável, convivendo em paz e segurança com Israel, dentro das fronteiras de 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital.

Entretanto, não há indicações de que essa configuração esteja mais próxima de se concretizar. Um diplomata brasileiro observou que o novo embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, é um defensor dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, referindo-se a ela pelos nomes bíblicos de Judeia e Samaria. A escolhida por Trump para a ONU, Elise Stefanik, também expressou apoio aos direitos de Israel na Cisjordânia, baseando-se em argumentos bíblicos.