Brasília (DF) – O governo federal anunciou a unificação do Cartão SUS ao CPF como identificador único no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi apresentada em coletiva no Ministério da Saúde pelas ministras Esther Dweck e Alexandre Padilha, e integra a Estratégia Nacional de Governo Digital (ENGD), prevista na Lei nº 14.534/2023.
A iniciativa estabelece o CPF como identificador único no sistema de saúde, substituindo cadastros paralelos e eliminando registros duplicados. O objetivo é simplificar o acesso aos serviços públicos, reduzir burocracias e fortalecer a identidade digital da população.
Transformação digital e identidade única
Segundo Esther Dweck, o CPF passa a ter papel central na modernização da administração pública. “O CPF deixou de ser um dado associado exclusivamente à Receita e se consolidou como um dado de cidadania, que representa cada pessoa no Brasil. Isso permite construir uma base de conhecimento da população e avançar em uma administração pública mais integrada”, afirmou.
A ministra destacou que a medida se conecta a outras iniciativas do Ministério da Gestão e da Inovação, como a Infraestrutura Nacional de Dados (IND), as Infraestruturas Públicas Digitais (IPDs) e a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), também baseada no CPF. “A transformação digital não é apenas tecnológica, é uma ferramenta para aproximar o Estado das pessoas e oferecer respostas mais rápidas e personalizadas”, disse.
Impacto direto no SUS
Para o ministro Alexandre Padilha, a unificação fortalece tanto o atendimento quanto a gestão do sistema público de saúde. “Estamos dando um passo importante para combater desperdícios no SUS, garantindo efetividade e eficiência sem deixar ninguém para trás”, declarou.
A integração permitirá que diferentes áreas do serviço público – como saúde, assistência social, trabalho e educação – compartilhem informações de forma segura, ampliando a interoperabilidade dos sistemas.
Limpeza de cadastros e metas
Até abril de 2026, a meta é inativar 111 milhões de cadastros duplicados ou inconsistentes e alcançar 229 milhões de registros ativos, alinhados ao número total de CPFs existentes na base da Receita Federal. Segundo o governo, 54 milhões de registros já foram inativados, com capacidade de limpeza estimada em 11 milhões por mês.
A secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, afirmou que a medida integra a transformação digital do SUS. “Essa inovação torna o acesso mais seguro e simples, eliminando duplicidades, reduzindo fraudes e unificando o histórico de saúde do paciente”, explicou.
Ela também ressaltou o processo de federalização dos dados de saúde, que permitirá a estados e municípios acesso ampliado às bases populacionais para planejamento e monitoramento de políticas públicas.
Segurança e soberania dos dados
A unificação também está vinculada à chamada Nuvem de Governo, estrutura que prevê armazenamento de dados sensíveis em território nacional. O investimento estimado supera R$ 2 bilhões, com participação das estatais Serpro e Dataprev.
O secretário de Governo Digital, Rogério Mascarenhas, destacou que o foco da medida é o cidadão. “Estamos olhando como a pessoa está sendo atendida e integrando a saúde a esse processo ligado ao CPF. A visão é centrada no cidadão”, afirmou.
Benefícios para os usuários
Entre os benefícios previstos estão:
– acesso facilitado aos serviços de saúde, sem múltiplos cadastros;
– redução de erros cadastrais;
– maior segurança das informações;
– integração do histórico de atendimentos em todo o país.
Na prática, o CPF único permitirá integração de serviços como a Carteira Nacional de Vacinação Digital (Conecte SUS) e os prontuários eletrônicos.
Em situações específicas — como atendimento a pessoas em situação de rua, indígenas, ribeirinhos, estrangeiros ou pacientes desacordados — será possível realizar cadastro temporário, garantindo que ninguém fique sem atendimento.
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