Em um evento que contou com a presença dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), Jorginho Mello (PL), governador de Santa Catarina, mencionou a possibilidade de uma separação da Região Sul. Mello declarou: “Daqui a pouco, se o negócio não funcionar muito bem lá para cima, nós passamos uma trena para o lado de cá e fazemos ‘o Sul nosso país’, né?”. No mesmo contexto, ele havia destacado que a região possui “dois candidatos à Presidência”.

Após a fala ganhar destaque e gerar repercussão negativa, Jorginho Mello divulgou um vídeo explicando que o comentário foi uma “brincadeira“. Ele argumentou que o governo federal, em sua visão, retira recursos dos estados do Sul sem promover ações que beneficiem diretamente a região ou o país, citando a distribuição de verbas entre os estados mais pobres.

Contudo, dados recentes mostram que, em 2024, diante das enchentes que afetaram severamente o Rio Grande do Sul, o governo federal destinou R$ 111 bilhões para a recuperação das cidades gaúchas. Além disso, a dívida do Estado com a União foi suspensa por três anos, incluindo os juros do período.

Declaração anterior e contexto cultural

Em janeiro do mesmo ano, o governador Jorginho Mello proferiu outra declaração que gerou discussões, desta vez em um evento da comunidade alemã em Pomerode, município de Santa Catarina. Na ocasião, ele afirmou que a cidade se destacava pela “cor de pele das pessoas“.

Segundo Mello, Pomerode “se destaca pela beleza turística que tem, pelas casas enxaimel, pela cor da pele das pessoas, pela mistura, pelo que representa para todos nós“. Ele concluiu dizendo: “Todas as pessoas que vêm para cá, voltam. É sinal de que gostou, é sinal de que faz a diferença na vida das pessoas”.

As declarações do governador evidenciam as tensões e os diferentes pontos de vista sobre a gestão federativa no Brasil, além de tocarem em sensíveis questões de identidade regional e nacional.

Investimentos do Governo Federal em Santa Catarina

O Novo PAC prevê R$ 18,1 bilhões em investimentos em Santa Catarina até o fim de 2026, dos quais R$ 16,3 bilhões (90% do total) já foram executados. Além disso, há R$ 11,7 bilhões projetados para o período pós-2026, totalizando R$ 29,8 bilhões em ações voltadas para o estado.

Em Santa Catarina, estão listados 589 empreendimentos no Novo PAC. Desses, 93 já foram entregues e concluídos até o fim de 2024. As iniciativas incluem 15 veículos de transporte escolar, 17 ambulâncias do SAMU para a renovação de frota, quadras esportivas, construção e reforma de escolas e universidades, e a retomada da construção de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Também estão previstos um CEU das Artes, um Complexo Esportivo no Campus Luzerna, além de equipamentos e mobiliário para diversos campi, e a manutenção e restauração de rodovias. As obras e equipamentos entregues alcançaram 71 municípios.

Em outra frente, as aldeias Itaty e Yakaporã, em Palhoça, e Canelinha, deixarão a insegurança hídrica até dezembro de 2024 graças ao programa Água para Todos. Também houve a renovação e adequação das redes nos bairros Sofia e Bucarein, em Joinville. Na área de habitação, são 39.598 unidades do Minha Casa, Minha Vida destinadas a Santa Catarina, além do financiamento de novas unidades por meio do eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes do Novo PAC.

Atualmente, outras 122 obras no estado estão em fase de execução, 41 em fase de licitação e/ou leilão, e 333 em ações preparatórias, incluindo contratação, estudos, projetos de engenharia e licenciamento ambiental.