CURITIBA | PR – A pecuária de corte brasileira, e especificamente a paranaense, enfrenta uma encruzilhada histórica onde a eficiência técnica não é mais um diferencial, mas um requisito de sobrevivência. Em reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, realizada nesta segunda-feira (30), o tom foi de alerta: o antigo modelo de “soltar o boi no pasto e esperar” está com os dias contados. Estimativas apontam que metade das propriedades atuais pode desaparecer em 20 anos por incapacidade de adaptação às margens estreitas e à pressão do mercado.
O cenário de 2026 exige que o pecuarista atue como um gestor de ativos. Segundo Gustavo Haruo, consultor do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), o setor lida com propriedades gigantescas que, muitas vezes, permanecem imobilizadas e sem retorno financeiro real. Para ele, a gestão interna é a única ferramenta capaz de garantir margens sólidas, especialmente em momentos de oscilação de preços e crises internacionais, como os reflexos da instabilidade no Oriente Médio sobre os insumos.
O fim do extrativismo rural
Diferente da década de 1970, quando o baixo investimento era a norma, a pecuária moderna exige monitoramento constante do Ganho Médio Diário (GMD) e da taxa de lotação. O manejo de pastagens surge como o eixo central da produção, mas é o fator humano que define o lucro: equipes qualificadas e bem remuneradas são o denominador comum nas fazendas que apresentam os melhores resultados do país.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que, apesar das adversidades impostas por políticas do Governo Federal, o Paraná mantém um potencial exportador robusto. O Brasil consolidou-se como o principal fornecedor global de carne bovina, superando os Estados Unidos, o que abre janelas de oportunidade para quem investe em tecnologia e inteligência de dados.
“Temos potencial grande quando se trata de pecuária de corte do Paraná, apesar das adversidades impostas. O pecuarista que adota uma gestão interna eficiente aproveita as oportunidades do mercado e, mesmo nos momentos de baixa, consegue manter margens sólidas e sustentáveis.”
Trava de preços e gestão de crise
Para Rodolpho Luiz Werneck Botelho, presidente da Comissão Técnica, 2026 é o ano da recuperação na produção de bezerros. Ele defende que o pecuarista utilize ferramentas de mercado, como travas de preço e reposição estratégica, para se proteger da volatilidade da arroba. O planejamento a longo prazo e a execução rigorosa de metas são as únicas vacinas contra o arrendamento forçado das terras para outras atividades agrícolas.
A gestão de crise agora envolve monitorar o “desembolso por cabeça” e o valor médio de venda com a mesma precisão que se monitora a saúde do rebanho. Sem esse controle, a tendência é que a terra perca sua função produtiva para modelos mais rentáveis de agricultura, acelerando a exclusão de produtores tradicionais do mercado.
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