Nas últimas semanas, Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou uma série de ataques a profissionais humanitários e médicos em Gaza, em meio à escalada da ofensiva militar israelense. A organização alerta para a devastação sistemática das vidas palestinas, à medida que as forças israelenses intensificam os ataques por ar, terra e mar, forçando o deslocamento da população e bloqueando a ajuda essencial.
A coordenadora de emergências de MSF em Gaza, Amande Bazerolle, destaca: “Gaza foi transformada em uma vala comum de palestinos e daqueles que vieram ajudá-los. Estamos testemunhando em tempo real a destruição e o deslocamento forçado de toda a população de Gaza.”
Desde outubro de 2023, mais de 50 mil pessoas foram mortas em Gaza, incluindo cerca de um terço de crianças, segundo o Ministério da Saúde local. O aumento da violência também resultou na morte de 409 trabalhadores humanitários, a maioria da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, e onze profissionais de MSF, alguns durante o exercício de suas funções.
Em um incidente recente, os corpos de 15 socorristas foram encontrados em uma vala comum em Rafah, evidenciando o desprezo pelas vidas dos profissionais humanitários. Claire Magone, diretora-geral de MSF-França, afirma: “Esses terríveis assassinatos são mais um exemplo do desprezo flagrante das forças israelenses pela proteção de trabalhadores humanitários.”
A situação humanitária em Gaza é crítica. O Sistema de Notificação Humanitária (HNS), que deveria garantir a segurança dos profissionais, falhou, resultando em ataques a instalações humanitárias e médicos. Em 7 de abril, equipes de MSF ficaram encurraladas em um hospital durante ataques nas proximidades.
Com os estoques de alimentos, combustível e suprimentos médicos em níveis alarmantes, a falta de medicamentos essenciais está colocando em risco a vida de muitos pacientes. Bazerolle ressalta: “Os trabalhadores humanitários têm sido forçados a assistir as pessoas sofrerem e morrerem enquanto enfrentam as mesmas condições de risco de vida.”
MSF apela para que as autoridades israelenses cessem o cerco a Gaza e respeitem os direitos humanos. A organização enfatiza que a situação atual não é um fracasso humanitário, mas sim uma escolha política que ataca deliberadamente a capacidade da população palestina de sobreviver.