Buenos Aires (AR) – Poucos dias após as eleições legislativas, o governo do presidente Javier Milei oficializou um novo reajuste nas tarifas de gás natural, aprofundando a escalada de preços que marcou o ano de 2025. Com assinatura do ministro da Economia, Luis Caputo, a Resolução 1698/2025 estabelece um aumento de 7,2% no valor do metro cúbico de gás natural com entrada no sistema de transporte em todo o território argentino.

O reajuste entra em vigor a partir de 1º de novembro e incidirá sobre o preço do gás com poder calorífico de 9.300 quilocalorias por metro cúbico. A medida foi publicada no Boletim Oficial da República Argentina e complementada pela Resolução 433/2025, da Secretaria de Energia, atualmente sob comando de María Carmen Tettamanti, que atualiza o valor de referência no Ponto de Ingresso ao Sistema de Transporte (PIST).

Usuários pagarão a conta

Com o novo aumento, o Ente Nacional Regulador do Gás (ENARGAS) deverá ajustar as tarifas finais cobradas dos consumidores residenciais e comerciais. Segundo o artigo 1º da Resolução 1698/2025, o acréscimo será aplicado diretamente sobre o preço do gás no PIST, impactando todas as regiões do país.

Além disso, a normativa exige que as produtoras, distribuidoras e subdistribuidoras atualizem, em até cinco dias úteis, os contratos firmados no âmbito do Plano Gas.Ar, programa estatal criado para garantir o abastecimento interno por meio de acordos de fornecimento com o setor privado.

Mais um reajuste em série

O novo aumento se soma aos repetidos reajustes tarifários autorizados ao longo de 2025 pelo governo Milei, que têm elevado o custo dos serviços essenciais e pressionado o poder aquisitivo da população, especialmente das classes médias e populares.

Apesar do discurso de austeridade e corte de subsídios, o impacto da política tarifária tem sido motivo de críticas crescentes de movimentos sociais e parlamentares da oposição. Enquanto o Executivo afirma que os reajustes buscam recuperar a sustentabilidade do setor energético, economistas e sindicatos apontam que as correções acima da inflação oficial agravam a crise de consumo e ampliam a desigualdade social.