Um ofício emitido pela Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu confirma a destruição de cerca de 6 mil aves apreendidas pela Polícia Federal em operações realizadas na região de fronteira. A medida é preventiva e busca mitigar riscos sanitários decorrentes da ausência de documentação e controle de origem dos animais.
O procedimento, autorizado pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e executado no frigorífico Mendes, teve seus custos cobertos pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindipar), seguindo rigorosamente as normas federais e municipais de segurança sanitária.
A ação foi impulsionada pela necessidade de eliminar potenciais riscos à saúde pública e à cadeia produtiva avícola do Paraná. A decisão foi tomada diante da ausência de qualquer documentação que comprovasse a origem e o controle sanitário das aves, incluindo a Guia de Trânsito Animal (GTA) e exames laboratoriais obrigatórios. Os caminhões apreendidos transportavam aves de descarte, ou seja, galinhas de postura fora do ciclo produtivo, em situação irregular e sem condições legais para comércio ou abate convencional.
Conforme ofício expedido pela Divisão de Inspeção Municipal, a carga foi descarregada e inspecionada em 23 de maio de 2025, com a presença do chefe do SIM, Thérbio Teixeira Moreira, do fiscal Ormínio Koike de Almeida, e de agentes da Polícia Federal. O abate foi executado pelo frigorífico Mendes, em conformidade com o Decreto Federal 9.013/2017 e o Decreto Municipal 32.159/2024. As carcaças, somando mais de 10 toneladas, foram descartadas no aterro sanitário da cidade.
Combate ao comércio ilegal e riscos na fronteira
A operação é um desdobramento direto de ações coordenadas com a Polícia Federal, focadas em coibir o transporte irregular de animais vivos em zonas de fronteira. A apreensão mais recente ocorreu em 22 de maio de 2025, em um galpão clandestino localizado na rua José do Patrocínio, a cerca de 650 metros da Ponte da Amizade. Essa área é considerada zona primária e está sob rigoroso controle do Ministério da Agricultura.
No local, foram flagrados dois caminhões transportando aproximadamente 5.900 aves. Além disso, outro ponto de comercialização irregular foi identificado em frente ao galpão, com cerca de 300 aves prontas para venda. O responsável pelo espaço, segundo relatório da inspeção, não apresentou nenhuma documentação legal exigida para transporte ou comércio de animais, configurando uma infração sanitária grave.
O médico veterinário Thérbio Teixeira Moreira explicou a seriedade da situação: “A ausência de documentos compromete a rastreabilidade e o controle de doenças de notificação obrigatória, como a Influenza Aviária. Em uma região de fronteira como a nossa, isso representa risco imediato ao plantel avícola e à saúde da população”.
O cenário se torna ainda mais crítico após o surto de gripe aviária registrado em maio de 2025 no município de Montenegro (RS). Esse evento levou o governo federal a intensificar a fiscalização nas fronteiras e a reforçar a vigilância sobre o trânsito de aves no país. Foz do Iguaçu, por não integrar o corredor sanitário estadual, exige ainda mais rigor no controle sanitário, de acordo com técnicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Comercial, Industrial e Agropecuário.
Esta foi a segunda grande apreensão registrada no município. Em dezembro de 2024, outra operação conjunta entre a Polícia Federal e o SIM resultou na apreensão de 5 mil frangos, também sem a devida documentação, levando a um abate sanitário semelhante.
Compromisso com a segurança alimentar
Edinardo Aguiar, secretário municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Agricultura, ressaltou a importância dessas ações: “As ações integradas entre município, Polícia Federal e o setor produtivo são fundamentais para proteger nossa população e os produtores que atuam dentro da legalidade. Foz do Iguaçu está vigilante e comprometida com o cumprimento das normas sanitárias, especialmente por estar em uma área tão sensível como a fronteira”.
As autoridades enfatizam que operações desse tipo são cruciais para preservar a segurança alimentar da população e a reputação sanitária do Paraná como estado exportador. Denúncias sobre transporte ou comércio irregular de animais podem ser feitas diretamente à Vigilância Sanitária ou à Polícia Federal.