A Prefeitura de Foz do Iguaçu, em colaboração com Itaipu Binacional e Itaipu Parquetec, está avançando na construção da Casa da Mulher Brasileira, um centro que reunirá serviços essenciais para acolher e proteger mulheres vítimas de violência. O prefeito General Silva e Luna destacou a urgência do projeto, diante da vulnerabilidade da região de tríplice fronteira e dos altos índices de violência de gênero.

“Olhando para o futuro de Foz do Iguaçu, percebi que os benefícios desse projeto superam qualquer avaliação financeira. Os dados indicam um aumento da violência contra as mulheres, e nossa localização geográfica intensifica a necessidade de uma estrutura robusta e eficiente. Por isso, decidi autorizar o projeto, assumindo a responsabilidade municipal pela gestão financeira e administrativa após a construção”, afirmou o prefeito.

A Casa da Mulher Brasileira será construída em um terreno de 6.226 m², doado por Itaipu, e contará com uma área edificada de 1.436 m². A binacional financiará integralmente a obra e a infraestrutura, com um investimento de R$ 11,8 milhões. O município será responsável pela gestão do espaço, coordenando os serviços junto a órgãos federais, estaduais e municipais.

O secretário municipal de Assistência Social, Alex Thomazi, ressaltou a importância do projeto. “Essa é uma resposta necessária à realidade das mulheres em Foz do Iguaçu. A estrutura reunirá serviços essenciais em um único local, garantindo agilidade no acolhimento. Teremos uma delegacia da mulher, unidades de justiça e polícia, atendimento de saúde, apoio psicossocial, assistência jurídica, alojamento temporário e espaços para promover autonomia econômica, com orientação profissional e geração de renda”, explicou.

Thomazi enfatizou que a Casa da Mulher Brasileira será um marco para a cidade. “O general foi enfático em acelerar a realização desse projeto. Agora, a prefeitura, em parceria com Itaipu, está agilizando os trâmites burocráticos para avançar na obra”, acrescentou.

Violência Exige Ações Estruturais e Permanentes

Os índices de violência contra a mulher em Foz do Iguaçu são alarmantes. Em 2023, foram registradas 6.887 ocorrências criminais envolvendo vítimas femininas, uma média de 19 casos por dia. Desses, 2.173 foram relacionados à violência doméstica, com um aumento de 41% no descumprimento de medidas protetivas. O cenário é ainda mais grave quando se observa os feminicídios: foram 14 tentativas e 7 assassinatos consumados, o dobro da média dos três anos anteriores.

A secretária municipal da Mulher, Noemi Giehl, destacou a relevância do equipamento. “Não se trata apenas de acolhimento emergencial, mas de criar condições reais para que essas mulheres reconstruam suas vidas. A Casa da Mulher Brasileira será um símbolo de esperança, oferecendo proteção imediata e suporte para autonomia econômica. A violência de gênero é um problema estrutural, e a resposta precisa ser integrada, com assistência jurídica, psicológica, de saúde e social no mesmo local”, enfatizou.

O projeto integra o programa nacional “Mulher, Viver sem Violência”, coordenado pelo Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos. A unidade de Foz do Iguaçu será a primeira na região de fronteira e no interior do Paraná, destacando a cidade como referência na proteção dos direitos das mulheres.

“Nosso compromisso é garantir que cada mulher que passar por ali tenha a oportunidade de recomeçar com dignidade e segurança. A união entre a prefeitura, o Governo do Paraná e o Governo Federal é fundamental para tornar isso possível”, concluiu o prefeito Silva e Luna.