No julgamento da denúncia contra Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas por tentativa de golpe de Estado, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez referências a Adolf Hitler e Benito Mussolini, ditadores que governaram a Alemanha e a Itália, respectivamente, na primeira metade do século XX, cujos regimes foram marcados por graves violações dos direitos humanos.

“Aqueles que, nos anos 1920 e 1930, normalizaram a chegada de Mussolini e Hitler ao poder dizendo ‘este é um processo normal’, certamente se arrependeram ao ver as consequências nos odiosos campos de concentração, vitimando o povo judeu e outras minorias na Europa”, afirmou Dino.

O ministro enfatizou: “Portanto, golpe de Estado é coisa séria.” Ele ainda acrescentou que a ideia de que uma tentativa de golpe de Estado não é grave por não ter resultado em mortes naquele dia é equivocada. “É falsa a ideia de que um golpe de Estado ou uma tentativa de golpe de Estado, porque não resultou em mortes naquele dia, é uma infração penal de menor potencial ofensivo ou suscetível de aplicação até de um princípio de insignificância”, completou.

Durante seu voto, Dino mencionou o filme “Ainda Estou Aqui”, que retrata o desaparecimento e a morte do ex-deputado Rubens Paiva durante o regime militar na década de 1970. “O que eles estão mostrando ali? Remarcando o caráter permanente e hediondo do desaparecimento de pessoas. De torturas, de assassinatos que derivam de quê? De um golpe de Estado”, disse o ministro sobre a produção.

“Dizem que não morreu ninguém, que em 1º de abril de 1964 não morreu ninguém. Golpe de Estado mata, não importa se é no dia ou anos depois”, afirmou.

Dino declarou que a suposta trama golpista e os atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 são uma “desonra” à memória nacional e às famílias que perderam entes queridos em “momentos de trevas” do Brasil. “Se não morreu ninguém, poderia ter morrido. Essa violência poderia ter atingido enormes proporções”, salientou.

A Primeira Turma do STF analisou a denúncia contra o chamado “núcleo 1” da tentativa de golpe, composto por:

Os integrantes do núcleo foram denunciados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima, e deterioração de patrimônio tombado.