O “fileteado portenho” é uma técnica pictórica que traduz a essência de Buenos Aires. Considerado um parente sofisticado das decorações nas carrocerias de caminhões brasileiros, o fileteado originou-se nas laterais de veículos, adornadas com frases da sabedoria popular.

Infelizmente, existem poucos registros sobre as origens desta arte na Argentina. Entre os pioneiros do fileteado portenho estão os italianos Cecilio Pascarella, Vicente Brunetti e Salvador Venturo, que, no final do século XIX, começaram a colorir as laterais de carroças – até então cinzas – utilizando linhas finas e coloridas, o que hoje conhecemos como filete. Com o tempo, essa técnica se expandiu para carros e ônibus.
Diferente do Brasil, onde o fileteado permaneceu restrito a veículos, na Argentina a técnica ganhou novos rumos, saindo dos automóveis e chegando aos cavaletes dos ateliês de arte. Atualmente, é comum ver o fileteado em diversos contextos, incluindo roupas e, mais recentemente, tatuagens, que se tornaram uma tendência.
Entre os artistas mais reconhecidos desta técnica está o polonês León Untroib, falecido em 1994. Na geração atual, destacam-se Martiniano Arce e Alfredo Genovesi, este último revolucionando o uso comercial do filete ao trabalhar com grandes marcas como Nike e Coca-Cola.
Para quem deseja se aprofundar no tema, uma visita ao Museu e Bar do Filete, localizado no térreo do Museu da Cidade em San Telmo (Defensa 217), é imperdível. O local, simples e acolhedor, oferece uma ótima oportunidade para saborear um café ou almoço econômico enquanto aprecia obras de mestres como Luis Zorz e León Untroib. O acervo, que pertencia à Galería Wildenstein, foi doado ao Museu da Cidade em 1971.
Outra sugestão é o Passeio do Fileteado, na rua Jean Jaurès, número 700 (entre Zelaya e Tucumán), onde, em 2003, seis fachadas foram pintadas com esta técnica por diversos artistas portenhos. Para os interessados, há uma vasta literatura sobre o fileteado disponível.