Brasília (DF) – O governo federal iniciou nesta segunda-feira (24) a operação do programa Gás do Povo, que prevê a oferta gratuita de recarga do botijão de gás de cozinha para famílias de baixa renda. A iniciativa deve alcançar 15,5 milhões de lares até março de 2026, beneficiando cerca de 50 milhões de pessoas em todo o país.
A implantação será gradual e começou por dez capitais brasileiras. Teresina (PI) foi a primeira cidade a receber os vales para recarga. Nesta fase inicial, 1 milhão de famílias inscritas no CadÚnico estão sendo contempladas nas seguintes capitais: Salvador (BA), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Recife (PE), Natal (RN), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP).
A Caixa Econômica Federal será responsável por distribuir os vales e credenciar os estabelecimentos aptos a realizar as recargas. Poderão receber o benefício famílias com renda de até meio salário mínimo (R$ 759), com prioridade absoluta para aquelas atendidas pelo Bolsa Família e que possuem renda per capita de até R$ 218.
Com investimento inicial de R$ 94 milhões, o programa tem como meta substituir o uso de lenha e outras fontes inseguras de combustão ainda utilizadas por milhões de brasileiras e brasileiros para cozinhar.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Osmar Júnior, reforçou o impacto social da medida.
“O Gás do Povo vai atender mais de 15 milhões de famílias que não tinham acesso regular ao gás, essencial para a alimentação”, afirmou.
Ele destacou ainda que a falta de alternativas seguras expôs por décadas milhões de lares ao risco de acidentes e problemas de saúde.
O presidente Lula, que lançou o programa em setembro, durante evento em Belo Horizonte, reiterou que a política é parte do compromisso do governo com segurança alimentar.
“Todo mundo tem que ter direito a comer. E, para isso, precisa ter direito ao alimento e ao gás para cozinhar”, disse.
Segundo o IBGE, cerca de 12 milhões de famílias brasileiras ainda utilizam lenha combinada ao gás devido ao peso do preço do botijão no orçamento doméstico. Desse total, 5 milhões são famílias de baixa renda — o equivalente a 15 milhões de pessoas que recorrem diariamente a formas menos seguras para preparar alimentos.