BRUXELAS (Bélgica) – A comunidade internacional observa com atenção e preocupação novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a necessidade de controlar — e, em algumas falas, até anexar a Groenlândia por motivos de segurança nacional. A ilha, que é um território semiautônomo do Reino da Dinamarca, voltou ao centro de uma crise diplomática em início de 2026, ao levantar objeções firmes por parte de diversas capitais europeias.
Trump afirmou recentemente que “os EUA precisam de Groenlândia por razões de segurança nacional”, e se recusou a descartar o uso de força militar para alcançar esse objetivo, segundo coberturas internacionais.
A dinamarquesa Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca, respondeu acusando declarações dessa natureza de violação da soberania de um país aliado e membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e advertiu que qualquer tentativa de anexação por parte dos Estados Unidos poderia questionar a própria existência da aliança militar que une Washington a seus parceiros ocidentais.
Em reação coordenada, membros importantes da União Europeia e da Otan — incluindo França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Polônia e Espanha — divulgaram declarações conjuntas defendendo que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que cabe exclusivamente à Dinamarca e aos groenlandeses decidirem sobre seus próprios assuntos territoriais.
A importância estratégica da Groenlândia decorre de sua localização entre o Oceano Atlântico Norte e o Oceano Ártico, numa rota que une a Europa, os Estados Unidos e a Rússia. A ilha também é rica em recursos naturais, incluindo minerais chamados de “terras raras”, essenciais para indústrias de alta tecnologia, além de ouro, níquel, cobre e urânio — cerca de 25% das reservas mundiais de terras raras estão localizadas ali.
A Dinamarca, respondendo à escalada diplomática, anunciou que fortalecerá sua presença militar e capacidades de defesa no território, em parte como resposta às insistentes declarações americanas e ao clima de incerteza sobre o futuro da ilha.
Autoridades dinamarquesas e groenlandesas têm reiterado que não aceitam qualquer tentativa de compra ou anexcão forçada, lembrando que o status da ilha foi conquistado historicamente e que a soberania e integridade territorial devem ser respeitadas conforme o direito internacional.
O episódio reabre discussões sobre a segurança no Ártico, a integridade de alianças militares internacionais e os limites do poder dos Estados Unidos, mesmo entre países aliados, em meio a uma conjuntura global marcada por tensões geopolíticas e disputas por recursos e posições estratégicas extratropicais.