O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (4) a retirada do país do Conselho de Direitos Humanos da ONU, além de manter a suspensão do financiamento à Agência da ONU para Refugiados da Palestina (UNRWA). A decisão foi formalizada em um evento no Salão Oval da Casa Branca, onde Trump se dirigiu a jornalistas.
Durante a cerimônia, Trump sugeriu que a única alternativa para os palestinos na Faixa de Gaza seria deixar o território, uma proposta apoiada por grupos da extrema direita israelense. Analistas consideram essa sugestão como uma possível forma de limpeza étnica, em violação ao direito internacional.
O presidente mencionou a possibilidade de que a Jordânia e o Egito acolhessem os palestinos deslocados, ressaltando a destruição da infraestrutura em Gaza após 15 meses de conflito entre Israel e Hamas. “É um local em escombros. Se pudéssemos encontrar o pedaço certo de terra, ou vários pedaços de terra, e construir alguns lugares realmente bons com bastante dinheiro na região, isso seria muito melhor do que voltar para Gaza”, afirmou.
Trump destacou a situação crítica em Gaza, descrevendo-a como “um local de demolição”, e expressou interesse em colaborar com nações árabes para criar moradias em outras áreas, onde os palestinos pudessem viver em paz, ao menos temporariamente. “Estamos falando de um milhão e meio de pessoas, e nós apenas limpamos tudo isso”, disse ele.
Papel do Conselho de Direitos Humanos e da UNRWA
O Conselho de Direitos Humanos da ONU foi criado em 2006 para promover e proteger direitos fundamentais, incluindo liberdade de expressão, de crença, e direitos das mulheres e da comunidade LGBT, além de investigar alegações de violações cometidas por estados-membros. A UNRWA, estabelecida há cerca de 75 anos, atende aproximadamente 750 mil refugiados palestinos da guerra de 1948 e é responsável pela assistência e educação de milhões de palestinos na Cisjordânia e Gaza. Recentemente, Israel decidiu encerrar o acordo que permitia o funcionamento dos escritórios da UNRWA em seu território.
Crise Humanitária em Gaza
O recente conflito entre Israel e Hamas, que foi interrompido em janeiro por um acordo de cessar-fogo, resultou em uma grave crise humanitária, com mais de 40 mil mortos. Anteriormente, os Estados Unidos haviam se posicionado contra o deslocamento forçado de palestinos, e o então presidente Joe Biden defendia a criação de um Estado da Palestina em coexistência pacífica com Israel.
As declarações de Trump levantam preocupações sobre um possível êxodo em massa de palestinos da Faixa de Gaza, o que poderia enfraquecer as propostas para a criação de um Estado palestino. Em uma conversa recente com o rei Abdullah da Jordânia, Trump sugeriu que o monarca aceitasse palestinos no país, descrevendo a situação em Gaza como uma “bagunça”.